quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Que tristeza!

Isto. É com profunda tristeza que vou ler blogues que habitualmente leio, escrito por pessoas que eu tinha por gente séria, e ler estas coisas.
Mas o defeito deve ser meu...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Ficção científica... ou não.

Excelente leitura - esta - de um blogue que já consta ali na «Biblioteca da Escola». Anima-me, ver que há mais quem pense como eu. Bem sei que não se deve atribuir à maldade o que pode ser atribuído à estupidez, mas a actuação dos nossos governantes já há muito que ultrapassou a estupidez...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

É assim mesmo que se fala - ou escreve!

Magníficos posts. Cheios de sabedoria. Dignos de um professor.
Este, este e este. E anuncia-se um último que espero ansiosamente.

É assim uma espécie de cinco em um

Partido (Popular de Esquerda Democrática e Moderada) Socialista - P(PEDM)S
É bonito. E dá para praticamente tudo. É a Bimby da política.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Dúvida existencial

Uma vez que os professores são uma cambada de comunistas incompetentes, manipulados por sindicatos de comunistas, uma vez que todos os professores são burros iletrados e doidos varridos - tenho lido todas estas afirmações feitas por corajosos anónimos em blogues e sites de jornais - o que leva as pessoas a ter os filhos nas escolas?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Vómitos!

«É essencial fazer um grande crivo à entrada para ter bons professores. Quem mais contesta a avaliação são os professores mais antigos. Habituaram-se ao deixa andar e agora lidam mal com as exigências. Vejam quem lidera os sindicatos e está definido o perfil. 50 anos, 25 de carreira, sempre a progredir…Os mais novos sabem que o futuro é exigente e já estão preparados e ficam contentes por cada um dos mais velhos que se aposenta. Abre portas a outro (e mais 2 ficam à espera) e contribui para uma maior exigência. O futuro é dos melhores e alguns ainda não deram conta disso.»

Um ser que s'assina «Trabalhador da Silva» - nick que diz muito sobre a criatura que lhe subjaz - escreveu, ou melhor dizendo, vomitou, nos comentários do Paulo Guinote o parágrafo acima. Faltou-lhe dizer que o futuro pertence aos louros de olhos azuis, mas foi sem dúvida por esquecimento. Também se esqueceu de propor que se fuzilem simplesmente os professores com mais de 60 anos para dar lugar aos novos (e subentende-se que melhores).
Desta vez começam com os professores, classe incómoda que tem como dever profissional pensar e ensinar a pensar. Podiam ter começado por outra classe qualquer. Mas todos os que agora se deleitarem a perseguir professores devem estar avisados: até podem não ser eles os próximos, mas acabará por lhes chegar à porta... Nessa altura, é capaz de já ser tarde para arrepiar caminho.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Palavras de poeta

Poema pouco original do medo

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim
ratos

Alexandre O'Neil

É por isto que não deposito grande fé numa greve, ou em duas, ou em três... Vamos a ver.

E agora?

Na sequência de duas grandes manifestações de professores, o que vamos fazer? O ME, na pessoa da Ministra da Educação, diz que não recua na «guerra» - palavras da ME – com os professores. Se é guerra, vamos a isso.
Este ECD, NÃO! Queremos um estatuto de carreira, não queremos um estututo penal. Queremos um estatuto negociado e não imposto. Queremos ser chamados a colaborar, não nos basta tomar conhecimento do que o ME entendeu, desta vez, decidir por nós. Passamos mais de metade das nossas vidas a trabalhar, devemos ter alguma coisa a decidir sobre a forma como esse trabalho vai ser regulamentado. Somos pessoas, que diabo!
Atrevo-me a sugerir que a redução de horário lectivo associada à idade, que deve ser mantida, seja convertida em horas para orientação e apoio, mesmo em sala de aula, aos colegas mais jovens e às turmas e alunos com mais dificuldade, por exemplo.
Substituição e permuta nos casos em que a falta pode ser prevista e as actividades de substituição planeadas. Deixe-se também algum espaço para os alunos terem e gerirem algum tempo livre, quando, por motivos imprevistos, falta um professor. As escolas têm biblioteca, ginásio, campos de jogos. E as que os não têm... é um bom investimento construi-los e apetrechá-los. Basta que seja regra o não poder andar pelos corredores e que haja quem possa zelar pelo cumprimento dessa regra. Pessoal auxiliar de acção educativa. Pessoal e não burros de carga. Saberá o público que os seus filhos não estão em segurança nos recreios, porque é impossível destacar pessoal para os vigiar? Que às vezes a falta de pessoal é tanta que não se pode controlar quem entra e sai? Que uma só auxiliar chega a ter que limpar doze salas de aula numa hora? Que pode acontecer que 500 alunos e 100 professores tenham que ser atendidos nos 15 minutos de intervalo, no bar da e scola, por 3 auxiliares?
Esta avaliação, NÃO! Calculo que a ME virá propor uma versão «simplex» para depois os miguéis sousa tavares deste mundo virem dizer que os madraços dos professores só querem passagens administrativas e simplexes. Mas esta avaliação, NÃO, nem em simplex nem em compliquex. Queremos uma avaliação séria. Que nos ajude a melhorar a nossa prática. Nenhum de nós tem a pretensão de ser perfeito. Queremos um sistema de avaliação da docência construído com a nossa colaboração – afinal, quem está na escola todos os dias somos nós. E queremos um sistema de avaliação da prática docente, não um sistema de penalização da prática docente. Se é preciso poupar dinheiro durante uns anos, nós entendemos. Mas, numa carreira horizontal como é a da docência, dizer que só 1/3 pode chegar ao topo é como dizer a uma turma de 1º ano que só 1/3 poderá chegar ao 12º ano. Somos uma classe profissional altamente qualificada: licenciatura (muitos ainda mestrado e doutoramento) e estágio de dois anos. Dizer que 2/3 de nós nunca passarão da mediocridade é assumir que as gerações futuras estão a ser educadas por um bando de medíocres. Qual é o Ministério da Educação que quer assumir isto?
Leve-se a cabo uma verdadeira reforma do ensino em Portugal, sim senhor. Consultem-nos. Nós colaboramos. Sugiro que as inutilidades folclóricas que dão pelo pomposo nome de Áreas Curriculares Não Disciplinares voltem à mente retorcida que as engendrou e de onde nunca deveriam ter saído. Inglês no 1º ciclo? Força! Mas para aprender mesmo Inglês. Duas sessões de 45 minutos por semana, com formadores de qualificação duvidosa, enquanto há centenas de professores de Inglês por colocar, é a brincar, não é?
Estatuto do aluno a sério, por favor. Ninguem chumba no ensino obrigatório? Força! Mas então queremos nas escolas os meios legais e humanos para levar cada um dos nossos alunos a dar o seu melhor. E assuma-se, de uma vez por todas, que se todos merecem ter oportunidades e meios ao seu dispor para atingirem máximo do seu potencial, nem todos têm o mesmo potencial. Peça-se a cada aluno o seu melhor e nada menos do que isso, mas também nada mais! Assuma-se que poderá haver pessoas cujo caminho, após a escolaridade obrigatória, pode não passar pela escola.
Acabe-se com o discurso de duas caras: uma que diz aos jovens «Estudem, estudem muito, todos têm direito ao sucesso, todos têm que ter formação superior para enfrentar o mercado de trabalho!», e outra quediz aos recém licenciados «Então não queriam ser doutores? Agora amanhem-se! Já deviam saber que o mercado de trabalho não comporta mais doutores!».
Talvez assim consigamos, em vinte, em quarenta anos (nunca em dois ou três, como o milagre da matemática) criar uma nova geração que valorize a educação, que não pedeça de inveja endémica e mesquinha, que honre o nosso esforço de agora e dos próximos anos. A Ministra e os Secretários de Estado andam por aí, mas nós estamos aqui. Há 5, 10, 20, 30 e mais anos. Vamos continuar aqui.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Essa é que é essa...!

De Joao Cardoso a 11 de Novembro de 2008 às 13:23
Poucas coisas são tão irritantes como disparar plurais sem olhar para o alvo: o que é isso de “os professores”? Falamos de 140 / 150 mil humanos que têm a mesma profissão. Se quer generalizar começamos pela treta mor: os professores são avaliados desde a década de 90. A legislação nunca foi regulamentada para que se pudessem candidatar a “Muito Bom”, é verdade, mas a responsabilidade é dos responsáveis ministeriais. Os relatórios por vezes nem lidos eram, mas a culpa não é dos avaliados. Curiosamente os parâmetros da avaliação eram muito mais extensos e complexos do que os desta lei.
Sem consequências? Conheço casos de quem parou na carreira, por não feito as formaçõezinhas obrigatórias, leccionadas em eduquês. Não conheço casos em que alguém tenha obtido avaliação negativa pela sua incompetência. Pois não. Nem alguma vez o iria conhecer com esta lei de avaliação pelo simples facto de que ela se destina não a detectar os incompetentes mas sim a evitar a progressão na carreira, a mesma razão pela qual a regulamentação da anterior nunca foi feita...
As generalizações são tramadas. O Rogério na mesma caixa de comentários diz que é avaliado pelos seus alunos, na universidade. Eis um argumento de uma honestidade a toda a prova. Omite que essa avaliação em nada lhe mexe na carteira. Omite que nas universidades a reprovação de um professor, por exemplo em provas de agregação, é notícia de jornal. Mas devo-lhe dizer que por princípio até estou de acordo. Só os alunos podem efectivamente aferir da qualidade do trabalho dos seus professores, já que são os únicos que assistem às suas aulas, as verdadeiras, e não as preparadas para serem assistidas por terceiros.
Claro que descortino algumas dificuldades se esta lei contemplasse esse princípio, em particular no que toca aos educadores de infância. E acarretaria sempre o problema de os professores avaliarem os alunos o que se presta a alguns negócios e chantagens. Mas na prática como um professor vai ser avaliado também pelos resultados dos seus alunos, a perversão já lá está.
E esse é o segundo objectivo desta lei: acabar com o insucesso estatístico. Ou está a ver alguém que tendo definido nos seus “objectivos individuais” uma taxa de aprovação de 90% não a vá depois cumprir? Eu estou: o profissional honesto e competente. O que sai tramado.
Em matéria de paralelismos anedóticos, continuo à espera que os médicos sejam avaliados pelos doentes, os juízes por queixosos e acusados (presumíveis, deixa cá ver se tenho de condenar este ou se estrago as minhas estatísticas para este ano) e já agora os defensores oficiosos que sem lerem o processo se limitam a pedir justiça...
Mas claro: médicos, juízes, advogados, os professores universitários, esses sim: querem ser avaliados. Os outros professores é que não.
Retirado daqui e reproduzido com aplausos. E, por mim, acabo aqui a discussão. Os argumentos patéticos e patetas que tenho lido por esses blogues metem nojo. Tenho pena, porque este é o meu país e gosto dele, mas tenho vindo a convencer-me de que temos seguramente uma percentagem anormalmente vasta de invejosos mesquinhos e reles que só se sentiriam satisfeitos se vissem todos reduzidos à miserável condição em que eles mesmos se encontram, em vez de se disporem a lutar para melhorar a dita condição.
post scriptum - muito boa prosa aqui. A ler e a reler

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Cuidado...!

Lendo os blogues - leitura indispensável para quem quer estar informado, porque a imprensa, escrita e falada, está muito governamentalizada - apercebo-me de alguns colegas (poucos, felizmente) que andam laborando num erro: atacar os «sindicatos» e endeusar os «movimentos», ou endeusar os «sindicatos» e, para tal, lá está, atacar os «movimentos». Calculo que o ME ao ver isto esfregue as metafóricas mãos de contente. Chama-se dividir para reinar e é mais velho do que a cheia do Nilo ou a Sé de Braga. Não nos deixemos cair nesse buraco, por favor. Sindicatos e movimentos têm a sua utilidade e o seu nicho. E agora, neste momento específico, somos todos professores. É especialmente importante puxarmos todos para o mesmo lado, em vez de, enquanto somos atacados por tantos lados ainda, nos dedicarmos a atacar, por nossa vez, os nossos próprios colegas só porque divergimos ligeiramente de opinião...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Os burros de carga de acção educativa

Quando eu andei, na escola chamavam-se «contínuos». «Sô Contino» em dialecto de aluno. Havia um em cada corredor, vários no bufete, um na portaria, um no PBX, vários nos recreios, um em cada laboratório... Depois, reduziram-lhes drasticamente o número e passaram a chamar-lhes «auxiliares de acção educativa». Agora, reduzidos ao mínimo dos mínimos, cada um a fazer o trabalho de quatro pessoas, permententemente esfalfados, esgotados de trabalho, proponho que passem a chamar-se «burros de carga de acção educativa», porque é assim que são tratados.
E aqui fica o meu enorme obrigada às auxiliares de acção educativa da minha escola, que me espanto como ainda não caíram para o lado...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Boa estratégia!

Esta Estou pronta a usá-la, a propagandeá-la, a defendê-la... Mas que há por aí uns «colegas» que, todos contentes por serem «titulares», enquanto que outros não o são, porque se todos fossem perdia-se o gozo da coisa, andam a cozinhar «fichas» e «grelhas» nas quais se deliciam com o antegosto de lá cozinhar os colegas não «titulares»... ai isso há!

Educação?! Física?!



Arrisco-me a ser assassinada pelos colegas de EF, mas não me sentiria bem comigo mesma se não colocasse esta dúvida existencial que me tem moído a cabeça nos últimos anos, quer como mãe de uma aluna, quer como directora de turma: QUE DIABO SE PASSA COM A EDUCAÇÃO FÍSICA EM PORTUGAL? Como é possível que raparigas que são excelentes alunas de balett tenham 10 a EF? Como se explica que alunos e alunas que são atletas de competição tenham 10/11 a EF?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Ele há coisas...!

Estive este fim-de-semana, um bocado engripada, a rever Harry Potter e a Ordem da Fénix. Lá pelo meio, tive uma espécie de iluminação - aquela Dolores Umbridge não vos lembra ninguém? Aquele Ministério da Magia não vos lembra nada? Aqueles «Decretos Educacionais» não vos trazem nada à memória?

Famílias numerosas

Descobri hoje que pertenço a uma família numerosa - o pai, a mãe, uma avó, uma avó-e-um-avô, uma tia e três filhos (eu incluída), que era o pessoal que morava lá em casa quando eu era pequerrucha, às vezes ainda acrescido de uma ou outra prima a estudar em Lisboa.
Ainda não estou em mim.
Eu, o marido, e as duas filhas formaremos o quê? Uma família de média dimensão? E os almoços de sábado, em Benfica? Uma família a transbordar - é verdade que faltam sempre cadeiras à última hora - para fora da casa?
Afinal, o que é que é mesmo uma família? Papá-mamã-fifis?
Ah, e tudo isto porque me lembrei de que o presidente - ou seria o porta voz? - da Associação de Famílias Numerosas (seja lá isso o que for e represente quem representar), que ouvi na rádio há uns dias, não tem o dom da palavra e entre «não é?», «p'tanto» e «qué'd'zer» mal se entendeu o que queria...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O churrasco

Andamos a analisar grelhas. Temos analisado grelhas, modificado grelhas, imaginado como será grelhar alguém naquilo... Na sala de professoress vai um cheiro a esturro que não se pode. Ultimamente, ser professor é como participar num longo churrasco - e o almoço somos nós!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

E a moral da história vem a ser?

Hoje, numa turma de 9º ano, estudávamos o conto «O Tesouro», de Eça de Queirós. Durante a leitura, ao chegar ao momento em que Rui, depois de ter convencido um dos irmãos a matar o outro, mata pelas costas o irmão sobrevivente (e assassino), para ficar com a totalidade do tesouro, um dos garotos exclamou, de forma bem audível: «Esperto!».
Confesso que fiquei chocada. Sim, eu bem sei que é uma história, mas não consigo deixar de achar chocante que um miúdo de 14 anos já tenha uma mentalidade tão retorcida que possa, de ânimo leve, considerar esperto um homem que, para ficar com a totalidade de um tesouro (em vez de apenas um terço do mesmo tesouro), leve um dos seus próprios irmão a matar o outro e, em seguida, mate o que ainda está vivo.
Mas pensei melhor... ainda ontem uma telenovela de grande audiência terminou. Nas cenas finais, a vilã, que ao longo dos duzentos episódios matou, mentiu, trapaceou, semeou a discórdia, mandou matar a própria irmã, matou o marido, eu sei lá!, nas cenas finais, dizia eu, a supracitada personagem, antes de, riquíssima com a herança do marido assassinado, embarcar num avião para ir seduzir o marido da irmã, manda assassinar a sua própria filha, que já fora presa em vez da mãe.
Longe de mim exigir que a televisão tenha funções educativas a tempo inteiro. Mas enquanto pais americanos querem que a Bíblia seja retirada das bibliotecas escolares porque Adão e Eva mantiveram relações sexuais sem serem casados (juro que já li esta, embora não me lembre onde) ou que os livros de Harry Potter sejam proibidos porque falam de feitiçaria, uma novela de grande audiência, que é vista pelos mais novos - os meus alunos, hoje, bem falavam dela - não deveria ter um bocadito mais de escrúpulos? Ou vale mesmo tudo para ficar rico? Matar os irmãos? O marido? Os filhos?
Ná...! Vai-se a ver e sou eu que sou bota de elástico!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O passe da minha filha

Uma aventura com traços de surrealismo
Este ano resolvemos pedir um passe para a nossa filha mais nova. Aprender a andar de autocarro faz parte da educação dela. Pensava eu que se tratava de uma processo simples: preencher um papel, entregá-lo junto com uma fotografia...
Como me enganei! Depois de ter entregue o papel, a fotografia e um comprovativo da morada, fui de férias, pensando que o caso estava arrumado. Lá para meio de Agosto, telefonam-me da Câmara: como a nossa área de residência pertence a outra Câmara, tenho que ir pedir à Câmara da área de residência um papel que confirme que a criança tem direito ao transporte escolar.
Lá vou. Na Câmara, informam-me de que só me passarão dito papel se eu trouxerum outro, da Escola, garantindo que a criança lá está matriculada.
Vou à escola. O meu marido desloca-se à secretaria, deixando-me no carro, e pede o tal papel. Não lho dão, porque o Encarregado de Educação sou eu. O meu marido traz-me o pedido ao carro, eu assino-o, e ele regressa à secretaria onde, apesar de insinuarem que ele falsificou a minha assinatura, lhe dão o tal papel. Nisto gastou-se um dia.
Dia seguinte. Regresso à Câmara da minha área de residência, onde me dão o segundo papel, o tal que confirma que a minha filha tem direito ao transporte escolar. Vou à Câmara da área da escola entregá-lo mas não tenho sorte nenhuma porque, em época de descentralização, o serviço que trata dos transportes escolares foi descentralizado e fica agora numa freguesia a 13 quilómetros. Percorro os 13 quilómetros e entrego o papel. Gastei dois dias de férias, mas acho que o problema está resolvido. Como sou ingénua!
Na primeira semana de aulas, levo a minha filha à escola, às 8 e 20 da matina e pretendo ir ao SASE levantar o passe da criança. Não posso entrar, pois o SASE só abre às 9 e meia. Bebo um café, leio o jornal - nesse dia só entro à uma e meia da tarde - e espero que sejam nove horas. Entro na Escola e dão-me uma senha, com o número 5. Espero. Espero. Espero. Ao meio dia e meia hora entra no SASE a pessoa que tem o número 3. Desisto.
Uma semana depois, de café bebido e armada de jornal, estou à porta da escola às 8 e meia e espero, a pé firme, pela distribuição das senhas. Às nove menos cinco distribuem-me a senha número 1. Às nove e quarenta e cinco entro no SASE. Em câmara lenta, a única funcionária pergunta-me o que desejo. Peço-lhe o passe da minha filha e o respectivo selo mensal. Sempre em câmara extremamente lenta, a funcionária procura o passe, entrega-mo, e depois começa a ler uma imensa lista de nomes com cerca de 5 páginas - o nome da minha filha não vem lá, de certeza não entreguei os papéis! Entreguei sim senhora, comprovo que entreguei. Pede-me então que lhe deixe o passe e o meu número de telefone: quando tiver tempo, telefonará para a Câmara e tentará saber o que se passa.
Uma semana depois, não tendo recebido qualquer telefonema, repito o procedimento: espera à porta da escola, senha número 1, mais espera. De novo sou a primeira a entrar, lá pelas dez menos cinco. Na habitual câmara lentíssima, a funcionária diz-me que reina na divisão de transportes escolares uma imensa confusão e que ainda não conseguiu saber o que se passa com a senha mensal do passe da minha filha, e que, «se ela tiver direito a senha», só terá a partir de Outubro. Informo a senhora de que não sairei dali sem o assunto resovido e de que a minha filha terá, de certeza, direito a senha de passe. Alguma coisa na minha cara lhe diz que estou disposta a fazer o que digo, pois pega no telefone e liga para a supracitada divisão de transportes escolares, onde, ao fim de menos de um minuto, é informada de que o nome da minha filha consta, na linha número x da página y da lista que lhe enviaram por mail há já duas semanas. A contragosto, reconhece que há muito tempo não vê o mail. A contragosto entrega-me o passe da criança.
Na era da internet, no país do simplex, gastei dois dias e três manhãs e tive que transportar a minha filha durante a metade do mês de Setembro em que teve aulas. Caro passe gratuito!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

E ainda só estamos em Setembro!

Duas turmas de testes diagnóstico corrigidas e entregues. Outras duas em vias de correcção. Planificações anuais entregues. Muita ficha de trabalho feita. Caderneta em vias de encadernação. Dossier de DT em arrumação. E-mails de quase cem alunos recolhidos e inseridos no computador. Textos e fichas enviados para todos.
As pessoas estão-se a passar. Há discussões na sala de professores quase todos os dias, pelos motivos mais fúteis. Deve faltar pouco para começarem aos tiros! E ainda nem se começou com a paranóia da avaliação...!
Palpita-me que este vai ser um bom ano para fugir para casa assim que puder. Para fazer cursos, mestrados, doutoramentos, tudo o que me tirar desta sala de profes com um ambiente de tal forma pesado que pouco falta para chover cá dentro...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

De volta às aulas

Às aulas, que na escola estou, em plena orgia de reuniões, desde 1 de Setembro.
Este ano retomo os meus alunos do ano passado. Planeio trabalhar arduamente e levar a exame as duas turmas de 9º with flying colours.
Pensamos encenar o velho Auto da Barca do Inferno, desta vez com marionetas.
Tenho um grupinho de muito bons alunos com um plano de desenvolvimento.
Temos toda a tralha papelenta da avaliação docente. Espero chegar viva e de relativa saúde mental e física ao fim do ano.

terça-feira, 29 de julho de 2008

O CASAMENTO...

«Todo o casamento é a criação dum lugar ideal para crianças, quer estejam presentes quer não. A sua utilidade social é esta. Isto o diferencia duma co-habitação.
Não tem um numero mínimo nem máximo de intervenientes. Tem um numero fixo de 2.»

Retirado dos comentários a
este post.
Não. Não. Não. E não.
O casamento não é a criação de um lugar ideal para crianças. Não mais do que outro conjunto familiar. Uma criança, duas, ou três, ou as que forem, podem ser educadas em grupos familiares muito mais alargados. Eu e os meus irmãos crescemos numa família razoavelmente grande. Ou em grupos mais restritos. Conheci muita gente que foi criada só pela mãe, ou pela mãe e pela avó. Esta ideia de família como grupinho de três (papá, mamã, fifi) é muito recente... Acho um piadão a ver defendê-la com unhas e dentes como se fosse um mandamento bíblico - e já que falamos nisso, as famílias bíblicas são para todos os gostos e há-as de todos os tamanhos e composições!
Continuo a pensar que o principal direito das crianças é o de serem queridas e amadas. O que inclui, por exemplo, uma saudável dose de disciplina. O resto é tontice politicamente incorrecta que é o que agora se convencionou chamar à tontice ou à brutidade arrogante.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

URGENTE - Ler e divulgar!!!

A ERSE, entidade reguladora dos serviços eléctricos, decidiu fazer de todos nós parvos.

DIVULGUE-SE

Pagantes EDP - Consulta Pública até dia 07 de Julho

Caros(as) Amigos(as),

Há planos que pretendem pôr os cidadãos comuns, bons e regulares pagadores, a pagar as dívidas acumuladas por caloteiros clientes da EDP, num total de 12 milhões de euros e, para o efeito, a entidade reguladora está afazer uma consulta pública que encerra dia 07 de Julho. Em função dos resultados desta consulta será tomada uma decisão. Esta consulta não está a ser devidamente divulgada nem foi publicitada pela EDP, pelo menos que se saiba.

A DECO tem protestado, mas o processo é irreversível e o resultado desta consulta irá definir se a dívida é ou não paga pelos clientes da EDP. A DECO teme que este procedimento pegue e se estenda a todos os domínios da actividade económica e a outras empresas de fornecimento de serviços (EPAL, supermercados, etc.).

Há que agir rapidamente. Basta enviar um e-mail com a nossa opinião, o que também pode ser feito por fax ou carta. www.erse.pt/vpt/entrada/consultapublica

Abaixo segue um exemplo de e-mail a utilizar:

_______________________

“Exmos. Senhores,

Pelo presente e na qualidade de cidadão e de cliente da EDP, num Estado que se pretende de Direito, venho manifestar e comunicar a Vossas Exas. a minha discordância, oposição e mesmo indignação relativamente à “proposta” - que considero absolutamente ilegal e inconstitucional - de colocar os cidadãos cumpridores e regulares pagadores a terem que suportar também o valor das dívidas para com a EDP por parte dos incumpridores.

Com os melhores cumprimentos,


Nome…..“

________________

O endereço de correio electrónico para onde devem enviar o protesto é o seguinte: consultapublica@erse.pt

sexta-feira, 27 de junho de 2008

À consideração de quem lê

«Politicamente correcto» tornou-se num palavrão. Quando se esgotam os insultos que envolvam o mau comportamento sexual das antepassadas femininas do insultado, que duvidem da sua inteligência ou que pretendam referir a sua orientação sexual, chama-se-lhe «Politicamente correcto».
Quando oiço sacar do «Politicamente correcto» como arma, lembro-me de que é possível alguém considerar-se legitimamente boa pessoa, e provavelmente sê-lo, e escrever coisas assim:
Estava eu na primeira classe, em 1978, puseram um atrasado mental na turma. Experiência primeira de muitas de um eduquês que actualmente mostra os frutos da sua aberrância. Este atrasado mental, com traços acentuados de mongolóidismo, mal sabia falar. Pensou-se então em juntá-lo aos normais para ver se evoluía (também fizeram uma experiência assim com uma criança e um chimpanzé). Resultado, não sabia desenhar um "A", nem sabia o que era um "A", mas passava as manhãs aos gritos, a agredir os colegas das carteiras mais próximas, riscando-lhes os papéis, atirando as coisas ao chão. Era de facto um aluno com necessidades especiais. Necessitava de um colete de forças e de um Valium. Nesse tempo ainda servia a régua de madeira da professora que tinha o dom terapêutico de o acalmar enquanto a mão doía. Depois esquecia-se e voltava ao mesmo. Actualmente parece que já não é assim. Já não se tenta sequer pô-los a desenhar o "A". Dá-se-lhes logo a escolaridade obrigatória. Pois não, meus amigos, isto não tem nada a ver com fazer boa figura perante a CEE mas com certas ideias deturpadas de vítimas de um regime demasiado rígido que quiseram à força garantir que todos os alunos eram iguais

In http://gotikka.blogspot.com/2008/06/massa-amorfa.html
E fico a pensar o que se passará na cabeça de quem, considerando-se boa pessoa e provavelmente sendo-o, consegue pensar e escrever assim. Acrescento que o me ofende não é o que é relatado, pois considero que todos têm direito de se queixar do que consideram mal feito. É a linguagem e o pensamento que lhe subjaz...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Época de testes 2

Os tipos de rima são uma inesgotável fonte de criatividade para os meus alunos.
Já tinha encontrado as rimas embaralhadas, as rimas enfaralhadas, as rimas encruzilhadas, as rimas atrapalhadas...
A acrescentar, dos testes deste ano, dois novos tipos:
A rima emperalhada - que presumo que meta peras ao barulho;
A rima entrepelhada - que nem imagino o que seja!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Época de testes1

Hoje, ao corrigir um teste de 8º ano, deparei-me com um novo tempo verbal - o AUSENTE do indicativo!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O mercado dos combustíveis está riscado!

O petróleo sobe de preço? Então, a gasolina em Portugal sobe de preço.
O petróleo mantém o mesmo preço? Então, a gasolina em Portugal sobe de preço.
O petróleo baixa de preço? Então, a gasolina em Portugal sobe de preço.

Deve ser a «mão invisível»...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Isto é o que eu penso...



... da enxurrada de futebol em geral e da selecção nacional em particular a que temos estado, estamos ainda e continuaremos a estar sujeitos nos meios de comunicação e da malta que se deixa comer por parva e põe bandeirolas às janelas e bebe extasiada a futebolada, as cores das cuecas dos jogadores, o tamanho do assento de avião em que viajaram os jogadores, o scolari a fingir que faz vinho e ainda tem a lata de insultar os poucos que não se deixaram contagiar pela epidemia de estupidez atoupeirada que grassa no país.

Will wonders never end?






What philosophy do you follow? (v1.03)
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You scored as Utilitarianism

Your life is guided by the principles of Utilitarianism: You seek the greatest good for the greatest number.



“The said truth is that it is the greatest happiness of the greatest number that is the measure of right and wrong.”

--Jeremy Bentham



“Whenever the general disposition of the people is such, that each individual regards those only of his interests which are selfish, and does not dwell on, or concern himself for, his share of the general interest, in such a state of things, good government is impossible.”

--John Stuart Mill



More info at Arocoun's Wikipedia User Page...


Utilitarianism


85%

Existentialism


85%

Justice (Fairness)


60%

Kantianism


50%

Hedonism


35%

Apathy


0%

Strong Egoism


0%

Nihilism


0%

Divine Command


0%


sexta-feira, 30 de maio de 2008

Leitura aconselhada

Esta.
O post em si já é de ir às lágrimas. Começo a desconfiar que dei com a origem do dito «estar de banda como o miranda». Nos comentários encontra-se de tudo, graças a deus, com larga maioria de seres com a consciência social de uma barata. E fica-se ansioso pelo desfecho: ter casa é ou não um direito? E a alternativa é...? Compramos ou não acções da GOLPE, perdão!, da GALP? Estou em pulgas...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Às vezes, a 28 de Maio...

...também acontecem coisas boas. Como
este magnífico post de um blogue que não conhecia e que aonde fui ter por um link apanhado neste outro blog que leio tantas vezes...

Tristemente, o mesmo facto desperta também reacções assim. Mas calculo que deve ser preciso de tudo para fazer um mundo equilibrado, como costumava dizer a minha saudosa avó, que acrescentava que, com um bocadinho de esforço, conseguimos cá viver todos. Live and let live, não é?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

sexta-feira, 16 de maio de 2008

É arte pura...!

Ensinar e aprender

Anda no Umbigo uma acesa discussão, que teve origem numa hilariante composição sobre «O papel da escola» - parece que é A4 ou então A3 dobrado ao meio.
Agora a sério... anda por lá uma ligeira confusão feita por um colega «Fafe» entre aprendizagens e ensino. Um professor nunca (NUNCA!) pode ser responsável pelas aprendizagens de qualquer aluno. Aprender é um acto individual de vontade. O professor pode ensinar, pode incentivar o aluno a aprender, pode ajudar o aluno a aprender, pode dar ao aluno as ferramentas para ele aprender melhor, pode sugerir-lhe que aprende, pode mostrar-lhe as vantagens que há em aprender, pode admoestá-lo por não ter aprendido, pode quantificar o que ele aprendeu, pode ensinar-lhe de novo o que ele não aprendeu... o que não pode é aprender por ele ou forçá-lo a aprender. Se o aluno não quiser aprender, não aprende.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Uma ajudinha...

Aqui há uns anos, a falecida Grande Reportagem fez uma campanha muito interessante com bandeiras de diversos países e estatísticas referente aos mesmo países, cuja legenda estava nas cores da bandeira. Consgui guardar algumas mas faltam-me outra, sobretudo a da UE. Alguém me arranja isso?

Homem ao mar! Alguém que o agarre!

Alguém caiu ao mar e anda a meter água com a força toda...

domingo, 11 de maio de 2008

Parece que não há esperança, diz ele

Tive alguma dificuldade em impedir-me de vomitar enquanto ouvia entrevista de Almeida Santos à TSF, hoje, entre o meio dia e a uma. Acho que os factos, conjugados, de o pequeno almoço já ir longe e ainda não ter almoçado à hora da entrevista foram decisivos, de outra forma, não sei se me teria aguentado.
O teor básico foi : hoje é o dinheiro que manda e os políticos têm é que se adaptar a isso e o liberalismo vai gerar cada vez mais desempregados e pobres e isso vai acabar numa revolução, que com toda a probabilidade já não será no meu tempo, por isso estou-me a cagar, quem cá ficar que se lixe que eu já ganhei o meu.
Se eu alguma vez pensei que o socialismo fosse isto! Isto, o que é, é súcia-lismo!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A sintonia

Não tenho por hábito responder a estas coisas. Mas este arrazoado, argumentação velha como a Sé de Braga, consegue, por vezes, tirar-me da minha calma.

Leia-se:

A sintonia como parâmetro de avaliação
Quando oiço ou leio a posição de certos professores relativamente às suas experiências educativas, reparo que quase sempre, as suas queixas apenas reflectem dificuldades de inserção no contexto social onde Escola se situa.


É verdade que muitos professores se queixam do meio em que a escola se insere. Mas não se queixam só disso. As queixas que mais frequentemente oiço nem têm a ver com o meio mas com o ambiente familiar, sobretudo coma falta de regras em casa que faz com que os garotos tenham pouca ou nenhuma capacidade de aceitar regras na escola, com a excessiva permissividade parental que leva pais (cansados, é certo, masque não deixam por isso de ser pais – eu também estou cansada ao fim do dia) a darem aos meninos tudo o que eles pedem e até o que ainda nem pediram e que torna as crianças incapazes de resistir à mínima frustração. E estas coisas não dependem do contexto social, ou não dependem apenas do contexto social.

Mas a coisa continua, com o mais triste e fascista dos argumentos: se são pobres, não se lhes pode exigir muito, coitados.


A violência, miséria, drogas, são o dia a dia de muitas crianças! Perante isto, vale a pena ensinar conteúdos, que elas não reconhecem como necessárias para a vida que estão habituadas a viver, onde mais uma vez a sociedade que não lhes dá condições, exige delas o que elas não podem dar?
Claro que não!


Claro que sim! Se a violência, a miséria e a droga são o dia-a-dia de muitos alunos nossos, então que é que este senhor propõe – violência, miséria e droga na sala de aula, para os pequenos se sentirem no seu meio?
Vale a pena ensinar conteúdos que elas não reconhecem como necessários para a vida que estão habituadas a viver? Claro que vale! Até para que saibam que a vida que estão habituadas a viver não é a única vida possível. Até para que aprendam a criar as condições que a «sociedade não lhes dá». E para que aprendam a lutar e a exigir dessa mesma sociedade a sua quota-parte de responsabilidades. E para que percebam que nada é dado, tudo tem que ser conquistado.

E encerra com a chave de ouro da sabedoria - os professores que se adpatem aos alunos! Venham eles de onde vierem, nem pensar em tentar levá-los a superar as faltas do meio. Ná! O professor deve é chafurdar com eles na lama, para eles se entirem em casa!

E é aqui que reside as dificuldades profissionais dos professores, é só estarem
preparados para debitar matéria e acharem que não têm nada à aprender com os
alunos.
O respeito pelas experiências sociais, quase sempre negativas dos
alunos deveria servir para agregar aos conteúdos a diversidade das suas
vivências, fazendo com que seja o professor a adaptar-se aos alunos, e não os
alunos ao professor.
Grande parte do insucesso dos alunos também passa pela
dificuldade dos professores como emissor de saberes, de serem capazes (ou
quererem, isto porque enquanto o insucesso não contar para avaliação, a vontade
é um factor importante) de se sintonizarem com os seus receptores.



A tarefa do professor é armar os seus alunos com as ferramentas intelectuais para que eles possam sair do ciclo vicioso da miséria, do assistencialismo, da vitimização. Respeitar o sofrimento das pessoas não significa mantê-las nesse estado.
Os professores não estão preparados para «debitar matéria». Os professores estão preparados para ensinar.
O professor adapta-se aos seus alunos todos os dias, quando prepara materiais específicos para as suas turmas, diferentes dos que usou no ano anterior. Quando explica de novo uma coisa que já explicou três vezes, para um grupo que ainda não entendeu. Quando é forçada a deixar de lado um plano de aula porque ninguém trouxe o livro nesse dia.
O que é que este senhor propõe? Que o professor passe a drogar-se junto com os alunos filhos de drogados? Que passe a embebedar-se, quando os alunos são filhos de alcoólicos? Que vão todos para a rua assobiar às miúdas, arrotar alto e gamar carteiras, porque é esse o ambiente do bairro?
A matéria deverá ser então qual? Agregando as vivências dos alunos habituados à droga, à miséria e à violência? Técnicas de assaltar nas caixas de Multibanco? Modos criativos de enrolar charros? Como escolher a heroína mais pura? Como dar enxertos de porrada na namorada?

terça-feira, 29 de abril de 2008

A ler...

Antes que voltemos atrás!

Pois...

Isto. A ler e a meditar. O mais giro é que, com o modelo de avaliação proposto pelo ME, os incompetentes e os baldas vão sair-se às mil maravilhas. Como? Fácil: planos de aula muito bonitos (há-de dar um florescente negócio na Net, a venda de planos de aula, ia apostar...!), notas altas (sobretudo naquelas disciplinas que nunca são sujeitas a exame externo e onde, portanto, não há como verificar se os 18 ou os 5 correspondem a qualquer coisa), e quem lê «notas altas», lê «pais felizes», «meninos felizes»... e depois umas aulas assistidas, mais umas acções de formação no que houver (só vale formação «acreditada» pelo ME), usa-se muito computador, muito quadro interactivo, diz-se sempre que sim ao director, e zás, lá se passa aos 25% de «muito bons» - a menos que o avaliador não seja santo e reserve o «muito bom» para si mesmo, que a vida custa a todos.
E os alunos aprendem alguma coisa? Irrelevante. Assim como assim, para ser repositor em máquinas de Coca-Cola não é preciso saber assim tanto. Certo?

Bom demais!

Isto é tão bom, mas tão bom mesmo que não podia ficar de fora... Se calhar, devíamos começar a ler «A Bola»!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Devo estar a pesadelar!

Dizem-me que a alternativa ao PS é o PSD.
Oiço que a Menezes poderá suceder Manuela Ferreira Leite, Pedro Santana Lopes ou Alberto João Jardim.
Suicidava-me, mas ainda sou muito nova para morrer e tenho duas filhas para acabar de criar!
Onde se preenchem os impressos para emigrar... sei lá, para longe... para a Nova Zelândia? Para os Mares do Sul? Para Marte?

Lá vem a TLEBS outra vez! Era só o que nos faltava...

Leio isto no Ciberdúvidas

Antes - Designava-se por "aposto" o que, entre vírgulas, acrescentava algo ao
sujeito (D. Afonso Henriques,primeiro rei de Portugal, tem…)
Com a TLEBS 1 - Designava-se por "modificador do nome apositivo" e dentro deste conceito diferenciava-se o "nome apositivo de tipo nominal",o de "tipo adjectival", o de "tipo preposicional" e o de "tipo frásico"
Com a TLEBS 2 - O "aposto" desaparece de vez e é substituído pela designação única de "modificador do nome apositivo"


E pergunto eu, já preparada para todos os que virão aqui chamar-me burra, estúpida, inepta, desejar que eu nunca seja professora dos seus filhos e rezar a todas as divindades para que as crianças nunca tenham os seus neurónios manchados pelo conhecimento de um só complemento circunstancial, essa heresia que ofende a Deus e aos linguistas, não necessariamente por esta ordem, pergunto eu então, o «apositivo» não deveria vir a seguir ao «modificador»? Não deveria ser «modificador apositivo do nome»? Ou é o «nome» que é «apositivo»?
E, já que estamos com a mão na massa, que mal têm os substantivos? Também é heresia

Bom demais para perder...



Rapinado
daqui como, sem dúvida, percebeu quem viu!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O que é a escola democrática? 1

O que é uma escola democrática? Todas as conversas e desconversas vão dar à escola democrática, mas o que é uma escola democrática?
Se a democracia é, como aprendi lá para 1974 no Liceu, o governo do povo, então a escola democrática é a escola governada pelos alunos? De todo! É vox populi, e muito acertada, que os jovens estão em idade de ser governados: é preciso aprender para depois fazer.
Será então a escola governada pelos professores? Também não. Os professores não têm tempo livre para governar a escola.
A escola democrática que temos é governada pelo Ministério da Educação, cujo nome já diz muito: antigamente era da Instrução Pública, porque se presumia que a educação cabia à família e a instrução ao estado. Agora, é preciso que a escola, além de instruir, eduque, porque a família tem que fazer semanas de trabalho 55 horas, para ganhar uns trocos, e não tem tempo para educar ninguém.
Dizem-me que a escola será democrática na medida em que assegurar que todos os alunos, independentemente de origem social ou económica, terão as mesmas oportunidades de desenvolver, através dela, o seu potencial. Então, devo dizer que a escola está a falhar rotundamente na sua missão.
Eu sei que as intenções eram boas, mas nem sempre as boas intenções resultam em boas obras.
O potencial de cada pessoa é pessoal. Diferente do das outras pessoas, portanto. Quem tem em si o potencial para vir a ser um excelente mecânico, ou um excelente agricultor, precisará de instrumentos de aprendizagem diferentes de quem tem em si o potencial para vir a ser um excelente médico ou um fabuloso biólogo, que, por sua vez, serão diferentes dos necessários a quem tenha o potencial para vir a ser um excelente pintor ou um escritor de renome e por aí adiante… Mas a nossa escola só oferece um modelo que, curiosamente, parece não servir a 100% ninguém. Quando se fecharam as escolas técnicas, argumentando que eram destinadas aos pobres, acabaram com a possibilidade de proporcionar, a quem tivesse potencial para isso, a formação técnica. Para que não se pensasse que eram destinadas aos pobres, fecharam-se a pobres e a ricos.
Uma pessoa que nasça com limitações graves, de ordem física ou mental, tem em si um potencial diferente. Pode vir a fazer grandes coisas se lhe forem dadas condições para tal. Mas não se pode é exigir que quem não tem as mesmas limitações seja forçado a trabalhar e a aprender pela bitola dessa pessoa, coma desculpa de que isso é feito para que o primeiro não se sinta inferiorizado. É como dizer que, porque alguns de nós são gorduchos (eu, por exemplo), são proibidas as calças de cintura descaída para que os gorduchos não se sintam diminuídos, já que as ditas calças lhes ficam mal. Integrar alunos com problemas de aprendizagem numa turma não é mau. Até é bom: faz de todos os alunos dessa turma melhores pessoas. Mas integrar esses alunos sem que o professor tenha recebido preparação para trabalhar com ele e sem entender que a turma terá que ser reduzida, é o mesmo que relegar o pobre aluno para uma espécie de limbo – o professor não sabe trabalhar com ele e ele não consegue aprender o que o professor ensina.
Outra coisa que é vox populi é que o que é dado e não custa esforço, não é valorizado nem apreciado. «Bens de sacristão, cantando vêm e cantando vão.» Crescer convencido de que nada exige esforço e de que tudo nos será dado porque a tal temos direito, é uma péssima base para qualquer tipo de trabalho. Os nossos jovens, que cresceram entregues à televisão e aos jogos de consola, que apenas treinam os músculos dos polegares a carregar nos botões do telemóvel, reagem mal à escola porque ela lhes exige trabalho. Eles vão lá para ser ensinados e ressentem-se com o facto de se lhes pedir que aprendam. Não gostam do professor porque ele lhes diz que não. Nunca aprenderam que há uma diferença básica entre o comportamento que é expectável num café e o que se espera numa sala de aula. Não reconhecem autoridade a ninguém, porque os pais nunca a exerceram: não têm tempo. Não respeitam ninguém, porque isso tem que se aprender e eles nunca o aprenderam. Não sabem pôr-se no lugar do outro, porque nunca foram ensinados a fazê-lo.
(continua…)

Quando se acha mole... PISA!

Aqui há uns sete ou oito anos fui aplicadora de testes PISA. Os testes, para quem não os conhece, são em forma de caderno: a página da esquerda tem o texto (que pode ser um texto escrito, uma gravura, um gráfico...) e a página da direita tem as questões relacionadas com esse texto (de escolha múltipla, de resposta directa, de interpretação...).
O aplicador passa as três horas do teste a olhar para os alunos, por isso tem ampla oportunidade de observar como eles trabalham. A maioria dos alunos a quem apliquei os testes - arrisco dizer que perto dos 70% - começa imediatamente a escrever, sem sequer passar os olhos pelo texto, quanto mais lê-lo. Suponho que isto diz muito sobre um dos grandes problemas do nosso ensino, que também se vê nos testes que normalmente dou aos meus alunos: tudo o que dá algum trabalho e não proporciona satisfação imediata, é deixado para trás. Assim, o que implicar leitura e/ou respostas extensas é deixado por fazer.
Quantos colegas já passaram pela situação que a seguir descrevo? Está-se na aula a fazer um exercício escrito. Um menino pergunta: «S´tora, o que é que é para responder na 2?» A professora lê a questão em voz alta. A criança ilumina-se: «Ah! Era isso!» O que se passa é que não leu a pergunta porque isso dá demasiado trabalho, ou então lê tão devagar que a pergunta não chega a fazer sentido, porque quando chega ao fim da leitura já não se lembra do princípio, dificuldade que, por sua vez, é filha da aflitiva falta de prática de leitura.
Estarei enganada?

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sou uma admiradora de Alice Vieira

É verdade. Sou leitora de Alice Vieira desde os primeiros livros que publicou. Aqui há vinte e tal anos, quando comecei a dar aulas, fiz muita fotocópia (que paguei do meu bolsinho!) de excertos de Alice Vieira para dar a ler aos meus meninos dos sétimos anos. Mas, nestes vinte e tal anos, as coisas alteraram-se de tal forma que os livros de Língua Portuguesa dos 7º e 8º só trazem Alice Vieira, António Mota, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada...
Não tenho nada contra tais escritores. São pessoas estimáveis e tomara eu quealguns dos meus alunos lessem os livros deles. Mas é preciso mais! Quando eu andava na escola, os livros de leitura chamavam-se «Selecta Literária» e traziam excertos dos clássicos da Literatura Portuguesa. Enid Blyton, Odette de Saint-Maurice, Condessa de Ségur e quejandos, partia-se do princípio de que as leríamos nas nossas horas de lazer.
Não digo que se regresse a esse estado de coisas, mas não seria possível um meio termo? Fifty - fifty? Cinquenta por cento de divertimento e cinquenta por cento de clássicos?
Foi pelo que acima fica dito que resolvi dar aos meus catraios do 8º ano algumas páginas dos nossos clássicos. Fiz uma pequena selecção de textos de Padre António Vieira e outra de Eça de Queirós e é o que andamos agora a ler, com grande proveito e interesse. Já me apresentaram mesmo dois óptimos trabalhos de grupo sobre textos de Padre António Vieira.
E, para terminar, pergunto eu: não estaremos a estupidificar os nossos meninos, à força de lhes querer «facilitar» a vida e «aplainar» o caminho? E não será isso uma estupidez? Quando acabarem a escola, vão ter cá uma surpresa!!!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

As inverdades que têm mais saída quando se fala em Educação

1- Os professores nunca foram avaliados.
2- Só os maus professores é que chumbam os meninos.
3- Os professores são inimigos dos alunos.
4- Os interesses dos alunos são prejudiciais aos professores.
5- Os professores trabalham 14 horas por semana.
6- Os professores têm 3 meses de férias.
7- Os sindicalistas são maus profissionais porque não estão a dar aulas.
8- Os sindicalistas não trabalham.
9- Os sindicalistas não foram eleitos.
10- O único interesse dos sindicatos de professores é prejudicar os alunos.
11- O ensino em Portugal é mau porque os professores portugueses são maus.
12- A ministra é corajosa porque está contra os professores.
13- Se está contra os professores, então a ministra está do lado dos alunos (vide 3).
14- O facto de as faltas deixarem de contar seja para oque for reforça a autoridade da escola.
15- As escolas são mal geridas porque os C. Executivos são eleitos.
16- Dar «cheques-ensino» ia melhorar o ensino e torná-lo mais barato e eficaz.
18- Os jovens devem ser incentivados a estudar cada vez mais.
19- Se os licenciados não arranjam emprego, a culpa é deles que se licenciaram em coisas que não interessam às empresas.
20- A ministra defende a escola pública.

Alguém se lembra de mais?
E, já agora, será que com este estendal de mentiras, a política da educação em Portugal vai a alugm lado?

25 de Abril na minha escola


Está em exposição o 25 de Abril de 1974. Além de engraçadíssimos cartazes com entrevistas a personalidades várias - desde o Presidente do CE até à Presidente da Câmara, passando por notáveis e anónimos - estão em exposição artefactos da época. Uma velha máquina de esrever «portátil» - pesavam uma arroba! - um gira-discos, gravadores de bobinas e de cassettes, livros e discos, bijuteria, e os jornais, os espantosos jornais do dia... Tudo organizado pelos garotos dos 7º e 9º anos, que ficaram pasmos quando lhes disse que me lembrava perfeitamente da data (não sabiam que eu era assim tão velha!). Estão de parabéns as turmas e as suas professoras de História!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Análise do dia D na minha escola

Parece-me chegada a hora de a fazer.
Como delegada sindical, divulguei-a o mais possível. Contei ainda com a colaboração das colegas mais combativas. Distribuímos panfletos (feitos por mim), afixámos um enorme cartaz no placard sindical, falámos com as pessoas.
Passei a noite de 14 para 15 quase em claro, a ler coisas, a fazer compilações do que se dizia na imprensa e nos blogues, a antecipar perguntas, a analisar o «entendimento» para poder falar dele sentindo-me esclarecida.
Cheguei à Escola às 8 horas - a reunião estava marcada para as 8 e meia. Tocou para o primeiro tempo às 8 e 25 e eu fiquei na sala com mais uma colega. Deppis chegou uma segunda. No primeiro intervalo, hora em que a reunião esteve mais animada, chegámos a ter 14 pessoas. A escola tem 90 professores! Contratados, estava um.
Foi uma reunião produtiva, é verdade que foi. Debateu-se, todos deram a sua opinião, todos colaboraram na redacção do documento final.
Mas, pergunto eu, onde estavam os outros? Não se ralam? Não querem saber? Estão à espera, a ver o que acontece? É-lhes igual ao litro?

terça-feira, 15 de abril de 2008

Dia D na minha escola

Este foi o documento que foi aprovado

Os abaixo-assinados, professores da Escola Secundária de Palmela, sentem-se incomodados com o facto de, após a manifestação do dia 8 de Março, que reuniu milhares de professores unidos na rejeição TOTAL e COMPLETA do modelo de avaliação imposto pelo ME, a Plataforma Sindical tenha aceite pôr em prática o modelo, sem alterações, embora essa aplicação se apresente travestida de experiência e preveja uma eventual negociação em Setembro de 2009, depois de todo um ano lectivo ser arruinado na tentativa de pôr semelhante modelo em prática.
A rejeição deste modelo deve continuar. Ele deve ser rejeitado na sua totalidade, ou alterado de forma muito substancial, antes de qualquer experimentação, da qual nunca se deverá prescindir. Assim, queremos que a Plataforma Sindical não assine este entendimento e prossiga a mobilização da classe docente contra este modelo de avaliação e a política educativa do governo.
Escola Secundária de Palmela. 15 de Abril de 2008

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Só o meu cómico favorito...

... me faria rir numa altura destas. Em plena preparação para o Dia D, com um monte de fichas de gramática para corrigir, com testes para fazer, com aulas para preparar... Só mesmo o meu cómico favorito me arrancou umas boas gargalhadas. «Gato Fedorento»?! Ná! Muito melhor. Ora leiam!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

sexta-feira, 14 de março de 2008

Hipocrisias

Os portugueses têm, em relação aos professores, a mesma hipocrisia que os americanos têm em relação aos políticos.
Pergunte-se a qualquer português o que faria se tivesse uma pipa de massa e ele responde logo: «deixava de trabalhar». A «ética» do trabalho em Portugal consiste em considerar que o trabalho é um mal infelizmente necessário, que deve ser feito da forma mais automática e acéfala possível, e, se possível, explorando o mais que se possa quem nos paga. (Acrescento que deve ser do ar ou da água, porque, em saindo do país, os portugueses não são piores trabalhadores do que os outros povos e adquirem rapidamente a ética de trabalho vigente no país onde se encontram.) Mas todos guardam da escola a ideia de quando lá estiveram como alunos e não lhes passa pelas mentes que ser professor não é chegar à sala de aula e dizer umas larachas ou escrever uma coisas no quadro, nem que enquanto os meninos estão em casa os professores continuam na escola.
Não deve haver um ser humano que nunca tenha tido a sua calinada, a sua escorregadela freudiana, o seu pontapé na gramática, mormente em frente de um microfone. Mas os professores, apanhados no meio de uma manifestação, têm a obrigação de falar como misturas de Camões e Padre António Vieira condensadas numa só pessoa, ou então são uns alarves.
Os portugueses ganham mal. Com excepção dos gestores, sobretudo os de empresas públicas, dizem os jornais. Por isso, os portugueses são grandes praticantes de actividades paralelas. Mas os professores não podem (e quem conhece algum que arredonde o ordenado com umas aulitas extra num colégio ou com meia dúzia de explicações chama-lhe de bandido para cima) – talvez por isso atribuem-se-lhes imaginários ordenados chorudos. Tendo em conta que os professores são na sua maioria licenciados e mestrados, ganham mal. Mas nem é disso que se queixam, só que o português nem ouve.

Já lá vai o tempo em que os pais davam a educação e a escola a instrução. Agora, o português médio quer que a escola (leia-se os professores) lhes eduquem os filhos, lhos instruam, ou pelo menos que os passem todos os anos, que tomem conta deles, que os ensinem a comer com garfo e faca, a andar na rua, a consumir com inteligência, a não engravidar (se são raparigas) antes dos vinte anos, a estudar e a fazer os trabalhos de casa, a compreender as leis, etc, etc, etc – e botem etc nisso! - e ainda se escamam porque a escola não os guarda nas férias, nem nos fins-de-semana nem à noite. Os anjinhos dizem palavrões que fariam corar um carroceiro (tenho alunas de doze anos que usam f***-se como vírgula nas conversas), arrotam ou soltam gases intestinais nas aulas, vêem muitas vezes às aulas de mãos a abanar, sem um caderno, sem um livro, sem um lápis ao menos, falam em voz alta com o colega que está no outro canto da sala, atendem o telemóvel, copiam pelo caderno de um amigo o trabalho de casa de outra disciplina, nem sequer percebem se ralharmos com eles, porque não vêem o que estarão a fazer de mal, e se chumbarem no fim do ano a culpa é do professor, certo?
Há maus professores? Há. E maus canalizadores, e maus ladrilhadores, e maus advogados, e maus médicos, e maus políticos, e maus padres, e maus padeiros, e maus cozinheiros...
Se todos os professores fossem tão maus como o Ministério da Educação os tem pintado, já as escolas tinham caído há muito tempo, já havia mais meninos a bater nos pais e mais violência em geral.
Nenhum grupo de pessoas aceita ser assim caluniado e odiado por aqueles cujos filhos educa. É de mais!
É que os professores são gente e também se cansam,
consegue perceber?
Quanto à estafada história do cheque educação, vá ver os resultados que deu onde foi adoptado. E saiba que nunca o ensino privado aceitará voltar a ser tutelado e certificado pelo estado - o que fará com que o ensino privado que esta «nova» esquerda (cuja a novidade consite, ao que me tem sido dado ver, em parecer-se com a direita) tanto defende vá, no futuro, formar aqueles que hão-de engolir este regime. Posso já cá não estar para ver, mas não duvido de que acontecerá.

quinta-feira, 13 de março de 2008

terça-feira, 11 de março de 2008

Quem quer pegar, pega por tudo

Ali em baixo já mostrei como o meu horário está preenchido. Claro que haverá sempre quem diga que não, que é só chegar à sala de aula e dizer umas coisas.
Acrescento que o horário do colega que terá que me avaliar é exactamente igual. Em que horário irá ele assistir às 5 aulas (2 este ano e mais 3 no ano que vem)? E se nos lembrarmos de que são 5 minhas e outras 5 de cada uma das 12 pessoas do departamento? Sessenta aulas assistidas é obra!
Para ele ajuizar se cumpri as planificações, terei que lhas entregar, certo? Eu e mais 12 pessoas. Eu, por exemplo, tenho um caderno por turma – quatro cadernitos só à minha pala. Multipliquem por 12 - e eu nem sou das pessoas mais picuinhas, há quem tenha planificações detalhadas aula-a-aula, umas 120 aulas por turma/ano.
Para comparar as classificações que eu propus (e apenas propus, pois segundo a legislação vigente o professor apenas propõe as classificações, e a responsabilidade é do Conselho de Turma – alguém já pensou nisto?) com as médias do ano anterior elas têm que estar diponíveis. As da escola e as nacionais. Isto dá trabalho… Quem é que o faz?
Vamos a que o desgraçado do coordenador tenha tudo pronto no final do próximo ano. A «minha» escola tem perto de 100 professores. Alguém está a «ver» as 100 resmas de papelada na frente do Presidente do Conselho Executivo? Ou do Director? Será que ele as vai ler, detalhadamente? Nos intervalos de quê?
Isto já foi experimentado em algum lado? As condições eram as mesmas? Funcionou?
Alguém sabe?

Às 7 da noite...


... estes colegas ainda iam a meio da Rua do Ouro. Comunistas mal informados e manipulados, sem dúvida...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Balhamedeus!

Na TSF está em curso um fórum sobre a contestação à poltíca da Educação. Vale a pena ouvir...!

terça-feira, 4 de março de 2008

Só para esclarecer...

Este é o meu horário deste ano. Peço desculpa pela pequenez das imagens, mas ainda sou novata nisto de inserir imagens aqui!
Como tenho mais de45 anos, ainda beneficiei de 4 horas de redução por idade na componente lectiva (com o novo estatuto, essa redução apenas acontecerá aos 55anos).



A azul, estão assinaladas as horas de aulas e as que são legalmente equiparadas a aulas – a Direcção de Turma e a reunião semanal de conselho de turma do CEF.
A rosa, assinalei as horas «não lectivas».
A cinza assinalei as horas em que posso, efectivamente, trabalhar na escola, para além do horário - desde que a sala de trabalho dos professores não esteja ocupada e haja computadores livres e a funcionar. Também posso ficar na sala de professores a trabalhar se houver um portátil livre ou se tiver coisas para escrever à mão ou para ler e corrigir.
A vermelho assinalei as horas em que podem decorrer reuniões em tempo de aulas. É verdade que não há reuniões todas as semanas, mas há semanas em que tenho 3 reuniões.

Vamos agora imaginar que, para cada tempo de aula, eu, que já tenho uma experiência razoável (sou professora há 23 anos), precise de outro tanto para a preparação e assinalemo-lo a verde:




As «horas não lectivas» são preenchidas com apoios. Num deles chego a ter 12 alunos. Nos outros tenho 3 num, 3 noutro e 1 noutro. Qualquer deles exige preparação – vou esclarecer dúvidas, fazer trabalho prático que, por vezes, não pode ser feito na aula por falta de tempo, vou explicar matéria a alunos que têm dificuldades e tudo isto tem que ser preparado. Como sou uma professora experiente, coloquemos lá 45 m de preparação por cada 45 m de apoio – e é pouco… - assinalados a roxo:


A tutoria é o acompanhamento a um aluno cujo comportamento é problemático. É frequente que tenha que pesquisar, que preparar actividades, mas vamos imaginar que não.
A reunião semanal do Conselho de Turma do CEF exige preparação: tenho que terem ordem o dossier da turma, contactar os Encarregados de Educação (que são mais difíceis de encontrar, às vezes, do que o Presidente da República!) – o que faço nas horas de Direcção de Turma, além do registo informático das faltas e respectivas justificações, bem como a comunicação das mesmas aos referidos Encarregados de Educação. Vamos supor que o tempo semanal de Direcção de Turma chegue – que raramente chega…

A hora de Trabalho do Departamento tem MESMO que ser preparada. Como tenho dois níveis (e sou uma felizarda, porque há quem tenha até 5), reúno com dois colegas – com um tenho em comum o 8º ano, com outro o 7º, para aferir critérios, comparar progressões e dificuldades, elaborar planificações conjuntas ou até partilhadas, etc… Imaginemos que tenho que trabalhar 90 m por semana para essas reuniões – de novo porque já sou velha experiente. Assinalo-as a laranja:


Falta ainda a correcção de trabalhos dos alunos, sobretudo testes, mas também fichas, textos e pesquisas, que são demasiado longos para ser corrigidos nas aulas. Como tenho perto de 60 alunos – e sou uma privilegiada, pois tenho três turmas reduzidas, já que têm alunos com Necessidades Educativas Especiais, além de que, sendo professora de Língua Portuguesa, tenho 4 tempos semanais com cada turma. O ano passado, tive um colega de Informática que tinha 13 turmas e este ano tenho uma colega com 10 turmas (a 22 alunos, mais ou menos, por turma, façam as contas ao monte de testes ou de trabalhos) – vamos a que dedique 90 minutos semanais a esta tarefa, assinalados a preto:



Mas o meu Ministério espera que eu me mantenha em formação ao longo da vida. Para isso dá-me dispensa das «horas não lectivas». Como necessito de me deslocar, no mínimo até à cidade mais próxima (uns 15 m de carro) e voltar (outros 15 m de carro) estou um bocado limitada.

Vamos agora ao ano lectivo:



A azul, tenho os períodos de aulas. A laranja, as reuniões de avaliação. A laranja mais carregado o trabalho de formação de turmas, horários, matrículas. A branco e a cinza, estão os períodos de férias, deixando claro que, nos assinalados a cinza o professor pode ser chamado à escola e é obrigado por lei a apresentar-se – embora, normalmente, isso (o ser chamado) não costume acontecer.

Tudo o resto – que os professores trabalham 12horas por semana ou que têm 4 meses de férias – são mentiras estúpidas e mal intencionadas, propaladas por quem tem interesse em denegrir a imagem dos professores ou por quem fala do que não sabe e imagina, por exemplo que, quando os meninos estão em casa, os professores também estão.
Quanto ao desgaste que a profissão implica, proponho um simples exercício para quem tem filhos. Ao fim de uma semana de férias com dois filhos adolescentes em casa, como se sentem? Multipliquem os filhos por dez, a semana por trinta e acrescentem-lhe o agravamento acrescido – quando finalmente crescem e abandonam a «idade do armário», são substituídos por uma nova fornada de adolescentes na «idade do armário».

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Pregar aos peixes...

Na última reunião semanal do Conselho de Turma do meu CEF concluí, finalmente, que andamos aqui a pregar aos peixes.
Uma das professoras da turma está agora, no âmbito do programa que tem entre mãos, a falar de Prevenção Rodoviária. Chegou à reunião com os cabelos em pé: os meninos guiam (têm 15/16 anos na maioria, o mais velho tem 17 e o mais novo 14) os carros dos pais para ir à discoteca à noite, embebedam-se regressam a casa ao volante, o que aliás não tem importância nenhuma, já que os pais fazem o mesmo. Não precisam de ter o 9º ano para tirar a carta, porque o pai (ou o padrasto, ou o avô ou um tio ou seja lá quem for) já lhes prometeu que lhes compra uma carta de condução quando eles tiverem 18 anos, o que não tem qualquer mal, há que a carta do pai foi obtida pelo mesmo processo. Tótó é a professora, que guia um carrito barato (sem tunnings nem nada, que eles sabem bem de umas oficinas que tiram a «tralha» toda para se ir à inspecção e depois voltam a montá-la!), que nunca bateu com o carro por vir bêbada que nem um cacho (bater com o carro é uma coisa que dá pipas de estatuto!) e nunca esteve em coma alcoólico (que é absolutamente o supra sumo!).
Como, além do mais, ao fim-de-semana, de vez em quando, fazem uns biscates a pintar paredes ou coisa assim e ganham em dois dias mais do que a professora em duas semanas, estudar é para tótós, está bem de ver.
O encarregado de educação de um deles, chamado à escola porque o menino andava a pavonear-se com uma navalha, disse ao professor queixoso que não via problema nenhum no facto, pois se, no Alentejo, os homens andam todos de «naifa», por que raio é que o rapaz não há-de andar de «naifa» também?!
Outro encarregado de educação, como castigo ao crianço que teve cinco negativas pelo Natal, ofertou-lhe uma moto, explicando que «até nem foi muito, coitadinho!»
Hoje, um catraio de doze anos, que costuma dormir nas aulas porque fica a ver a televisão que os diligentes pais lhe puseram no quarto até às três da madrugada, explicou-me que não vale a pena estudar para o exame porque os exames não valem nada e até ouviu na televisão que vão acabar e que também não lhe vale a pena estudar este ano porque, como já é repetente, este ano não pode chumbar...
E eu vou ser avaliada pelo sucesso escolar desta malta?!?!?!?!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Caras recordações de infância



Era um velho disco de 45 rotações com 4 canções. Esta era a primeira. Ainda me traz lágrimas aos olhos...

Educação e hamburgeres

Ou como o linguajar do dinheiro vai contaminando toda a sociedade.Isto apareceu-me já não sei onde e fui ler com toda a atenção. Nem opino, deixo isso a cada um. O que verdadeiramente me tocou a corda sensível foi este comentário:
«I think this is great-the UK has decayed partly because they have a surfeit of Sociology and Women's studies grads-hopefully this will train people to be gainfully employed and productive.»
Isto vale por várias licenciaturas, if you pardon my french! É esta a ideia que sucessivos (des)governos do espantoso modelo da auto-denominada esquerda moderna consegue fazer passar sobre a educação. O princípio é o mesmo daquele artigo do Blasfémias (acho que mudaram de «casa» e ainda não sei o link...) sobre Educação e Padarias...

Ler e aconselhar...

...que é uma coisa que os professores fazem por deformação profissional.
Já que estou com a mão na massa, então deixem-me aconselhar a quem ainda não leu, este belo naco de boa prosa.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Um manifesto a divulgar

MANIFESTO

Os professores estão a atravessar o momento mais negro da sua vida profissional desde o 25 de Abril. Com um pacote legislativo concebido em sucessivas fases, começando pelo novo Estatuto da Carreira Docente e culminando com o novo modelo de gestão escolar, passando pelo Decreto Regulamentar da avaliação de desempenho, a actual equipa do Ministério da Educação desferiu um golpe profundo na imagem social dos professores, na sua identidade enquanto grupo profissional e nas condições materiais e simbólicas necessárias para que os mesmos se empenhem na qualidade do ensino. A um sentimento de enorme frustração soma-se hoje a insegurança quanto ao futuro profissional, uma insegurança decorrente de todos os mecanismos de fragilização da carreira e de instabilidade de emprego que o governo actual tem vindo a introduzir.
Torna-se agora cada vez mais evidente que os professores deste país foram as cobaias de um ataque aos direitos laborais, segundo uma receita de efeitos garantidos: uma campanha inicial de difamação orquestrada com a cumplicidade de uma comunicação social subserviente, que visou justificar, no plano retórico e propagandístico, a redução sistemática de direitos no plano jurídico. Hoje é também óbvio que este programa teve como objectivo essencial a quebra do estatuto salarial dos professores, que passaram a trabalhar mais pelo mesmo dinheiro, que viram a progressão na carreira arbitrariamente interrompida, e que foram, desse modo, uma das principais fontes drenadas pelo governo para satisfazer a sua obsessão de combate ao défice.
Hostilizados por uma opinião pública intoxicada e impreparada para reconhecer aos docentes a relevância da sua profissão, desprovidos dos meios legais e materiais que lhes permitiriam dignificar o seu trabalho, é com fatalismo, entremeado por uma revolta surda, que os professores deste país encaram hoje o futuro mais próximo. Muitos consideram o Estatuto da Carreira Docente como um facto consumado, procurando adaptar-se-lhe o melhor possível. No entanto, as piores consequências desse Estatuto só agora começarão a revelar-se, e há sinais de que a ofensiva do governo contra os professores e contra a escola pública não chegou ainda ao fim:
· Este ano vai ter início o processo de avaliação do desempenho, pautado pela burocratização extrema, por critérios arbitrários e insuficientemente justificados que poderão abrir a porta para acentuar o clima de divisão e a quebra de solidariedade entre os professores, para «ajustes de contas» adiados, para a perseguição aos profissionais que se desviem da ideologia pedagógica dominante, para a subordinação dos resultados dos alunos à demagogia ministerial do sucesso escolar compulsivo.
· O governo prepara-se para aprovar, sem discussão pública que mereça esse nome, um novo modelo de gestão escolar que se traduz pela redução ainda maior da democracia nos estabelecimentos de ensino, já antecipada ao nível do Estatuto da Carreira Docente, pela diminuição drástica da influência dos professores, atirados para uma posição subalterna nos órgãos directivos, pela sua subordinação a instâncias externas, muitas vezes movidas por interesses opostos ao rigor e à exigência do processo educativo.
· Finalmente, o governo tem também a intenção de suprimir as nomeações definitivas para a grande maioria dos funcionários públicos, iniciativa que terá particular incidência numa classe docente cuja garantia de emprego já está, em muitos casos, consideravelmente ameaçada.
Tudo isto deveria impor, desde já, a mobilização dos professores e o abandono de uma postura de resignação. Não há processos legislativos irreversíveis. Por outro lado, não podemos esperar por uma simples mudança de ciclo eleitoral ou de legislatura para que o ataque à nossa condição profissional seja invertido. Ninguém, a não sermos nós, poderá lutar pelos nossos direitos.
Por tudo isto, e para contrariar a atitude cabisbaixa que impera entre a classe docente, consideramos importante lançar um conjunto de iniciativas, algumas delas faseadas, outras que poderão ser desenvolvidas em paralelo. Assim, propomos:
- apoiar o movimento, que começa a surgir na blogosfera dedicada à nossa profissão, no sentido de se alargar o prazo de discussão do novo modelo de gestão escolar, e organizar nas escolas espaços de debate desse projecto-lei, tendo o cuidado de o situar no quadro mais geral dos constrangimentos legislativos a que hoje se encontra sujeita a nossa actividade profissional;
- promover, nas diferentes escolas e nos agrupamentos de escolas, a discussão sobre as condições de aplicação do Decreto que regulamenta a avaliação de desempenho dos professores, tendo em conta a necessidade de se fixar critérios mínimos de rigor e de justiça nessa avaliação, e considerando que, se a avaliação dos alunos tem sido objecto de muita elucubração teórica, as escolas se preparam para avaliar os docentes sem ponderarem devidamente as dificuldades científicas e deontológicas que semelhante processo suscita;
- encetar um processo de contestação do Estatuto da Carreira Docente nos tribunais portugueses e nas instâncias judiciais europeias, considerando que esse diploma atinge direitos que não são simplesmente corporativos, mas que constituem a base mínima da dignificação de qualquer actividade profissional.
- pressionar os sindicatos para que estes retomem os canais de comunicação com os professores e efectuem um trabalho de proximidade junto destes, o qual passa pela deslocação regular dos seus representantes às escolas a fim de auscultar directamente os professores e de discutir com eles as iniciativas a desenvolver;
- contactar jornalistas e opinion-makers que, em diferentes órgãos de comunicação, tenham mostrado compreensão pelas razões do descontentamento dos professores e apreensão perante o rumo do sistema de ensino em Portugal, no intuito de os incentivar a prosseguirem com a linha crítica das suas intervenções e de lhes fornecer informação sobre o que se passa nas escolas;
- propor políticas educativas que se possam constituir em defesa de uma escola pública de qualidade, que não seja encarada como simples depósito de crianças e de adolescentes e como fábrica de «sucesso escolar» estatístico, políticas capazes de fornecer alternativas para as orientações globais do Ministério da Educação e para as reformas mais gravosas que o mesmo introduziu na nossa profissão.

Se concordas com o MANIFESTO divulga-o o mais possível.
Para mais informações usa o seguinte e-mail profsemluta@hotmail.com
João Paulo Soares
http://bioterra.blogspot.com
Matosinhos - Portugal

Tirado, depois de lido e apreciado, daqui.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

PETIÇÃO

Aqui, por um prazo decente para discutir o «novo» modelo de gestão da escola pública. Iniciativa do blogue de
Paulo Guinote.

De volta, mas pouco...


E foi assim que decidi mudar de vida. Uma vida, uma escola, um blogue. Guardei o melhor do velho num CD-Rom e para a frente é que é o caminho. Que passará pela Escola - a minha, claro! - e pela família - a minha, claro!
Vou postar quando puder, quando houver tempo e veia para isso. Sem stress, recomendação médica de há muitos anos que só ultimamente me resolvi a seguir.
Os links, vou actualizando à medida que os for reencontrando.
Os velhos amigos serão muito bem vindos.
Os novos amigos, estejam à vontade.
Coisos, abstenham-se, por favor.