sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Eu cá gosto do Natal...


... e desculpem qualquer coisinha!
É assim mesmo, gosto. Da comida, das prendas, do barulho, de jogar Trivial, da árvore de Natal (mesmo da nossa que tem p'rái uns 15 centímetros de altura).

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O aquecimento global é um mito...


... diz-se por aí, entre uns iluminados. Ou, se existe, dizem os mesmos iluminados, a actividade humana não mete para aí prego nem estopa.
Pois, à pala do aquecimento global que não existe, a roseira coberta de flores (EM DEZEMBRO!) que tenho à minha porta deve ser uma ilusão de óptica. E o aroma da SOCEL que hoje paira no ar... deve ser perfume.

Raios partam o trabalho doméstico!


Anda acesa a discussão sobre as empregadas domésticas. No Jugular a coisa está brava. Deixa-me cá ajuntar uma acha à fogueira.
Já aqui o disse - há-de estar lá para trás - que é o dinheiro mais bem gasto, o que se paga à empregada. Quem me dera! A minha (saudosa!) reformou-se, deixando-me com o trabalho todo às costas!
Claro que o marido e as filhas ajudam, mas... as «ajudas» são quase piores do que não fazerem nada. Como não posso contar com elas - uma vez que cada um só faz o que lhe apetece e quando lhe apetece - a responsabilidade acaba por ser minha. Às vezes lá há uma ou outra coisa que me parece feita, mas nunca posso contar com isso.
Pessoalmente, acho que vivemos de uma forma que desperdiça absurdamente recursos e energia (eléctrica e humana). Sou o mais possível por uma forma de sociedade em que quem gosta de cozinhar e o faz bem (eu, por exemplo) faça esse trabalho para uma comunidade alargada (e seja pago por isso, claro!) e as casas particulares sejam reduzidas ao mínimo indispensável para o conforto - tudo fácil de limpar, claro! Esta coisa de uma casa = uma máquina de lavar roupa, uma máquina de lavar loiça, um ferro de engomar, um fogão... que afinal só funcionam algumas horas por semana é coisa que deve estar para durar pouco. É caro e cansativo!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Claro que toda a gente sabe que os homossexuais nascem em vasos...



Às vezes, dou por mim com pena de algumas pessoas. Leio o que escrevem e penso que, para elas, o mundo deve estar a transformar-se, a passos largos, num lugar tenebroso.
Mas, quanto a mim, prefiro este mundo "velho" - feito de homens e mulheres, nascidos (ou adoptados) de casamentos entre homens e mulheres, com pais e mães, irmãos e irmãs, primos, tias e avós(...)

Fruto desse pavor, escrevem não importa o quê! Como imaginarão estas pessoas uma família em que há dois pais ou duas mães?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Casamento ou Vrrrnhéc?


Quer-me parecer que o que está em jogo e o pessoal do «contra» não diz é que, com o casamento para tod@s, a heterossexualidade das pessoas casadas deixa de ser presumida de imediato.
Até agora, facto de alguém se identificar como casado implica automaticamente a sua condição de heterossexual. Quando o casamento for alargado a tod@s, isso deixa de ser automático. Pelos vistos a identidade hetero é tão frágil, nestas cabeças, que se não for presumida, não existe... É por isso que tanto insistem na mesma-coisa-mas-com-outro-nome.
Nestas cabeças, heterossexuais somos todos até que @s que o não são anunciem esse facto. O casamento aberto a tod@s, o reconhecimento da homoparentalidade, a adopção por casais do mesmo sexo serão mais passos a dificultar este estado heterossexista de coisas - e o problema está aqui. Certo?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O NOVO PROGRAMA QUE COMEÇARÁ JÁ NO ANO QUE VEM A DEFORMAR MAIS AINDA AS JÁ DEFORMADAS CABECITAS DOS NOSSOS INFANTES




Alguém já passou os olhos pelo Novo Programa de Língua Portuguesa? Eu já. E só pergunto isto: mas por que carga de raios tenho eu (ou qualquer outro colega) que ler carradas de tontices sem interesse nenhum? Mas o que é aquilo?
Não resisto a incluir um parágrafo, retirado da página 28
A fim de contrariar a eventual propensão para se acentuar o eixo dos
conteúdos, chama-se a atenção para a necessidade de se não trabalhar o programa
apenas em função dos referidos conteúdos; estes facultam uma metalinguagem
comum aos professores dos três ciclos, no sentido de se reverter a deriva
terminológica que se foi manifestando nos últimos anos. De um ponto de vista
didáctico, eles devem ser activa e criativamente articulados com os desempenhos
esperados, agrupados por grandes linhas orientadoras (coluna da esquerda) do
trabalho sobre as competências; a não ser assim, o programa poderá resultar numa
mera descrição de conceitos, com escassas consequências no plano da aquisição e
do desenvolvimento de competências. Acrescente-se ainda que mais importante do
que levar os alunos a memorizar definições de termos (um risco que se agrava
quando estão em causa termos metalinguísticos) é torná-los capazes de utilizar
correctamente, em contexto, os respectivos conceitos.

É tudo assim.
Tudo!
Esta é a lista de textos a incluir no Projecto Curricular de Turma (ainda alguém me há-de explicar para que serve esta coisa) do um 7º ano:
• três narrativas de autores portugueses
• um conto tradicional
• um texto dramático de autor
português (incluindo literatura juvenil)
• um conto de autor de país de língua
oficial portuguesa
• uma narrativa de autor estrangeiro
• dois textos da literatura juvenil
• poemas de subgéneros variados

Aceitam-se sugestões... de interpretação desta lista.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

As últimas da Gramática



Uma colega que tem andado em «formação» sobre a nova terminologia gramatical (a defunta e nada saudosa TLEBS, actual sabe-se-lá-o-quê) veio de lá com a ideia brilhante que, ao implementar os novos programas do 3º ciclo, deveremos ser contra a «gramática normativista». Se a gramática é um conjunto (lá está) de normas, não vejo como pode deixar de ser normativista, pelo que espero com impaciência os desenvolvimentos.
Parece também que, quando se implementar o dito programa, as crianças deverão ser deixadas a intuir as regras. Nada de dar regras aos meninos, é deixá-los descobri-las sozinhos. A roda já foi inventada, mas é sempre bom inventá-la de novo, certo? Eu dava aos autores desta pérola duas toneladas de alumínio, umas ferramentas e dizia-lhes que fizessem o seu próprio automóvel: já viram tantos que devem, com certeza, intuir como se faz um.
E, já que estamos com as mãos na massa, eu acabava com a legislação normativista. Depois de ser atropelado umas cinco ou seis vezes, qualquer indivíduo esperto deve intuir que andar pelo meio da estrada é capaz de ser má ideia.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

As boas escolas



Parece que são as católicas, por cá. Pelo menos, era o que vinha no jornal.

Não tenho parti-pris especial contra escolas confessionais. Não matricularia as minhas filhas numa, mas acho que quem quer deve poder fazê-lo.

Vamos à exigência e ao rigor: a escola pública, neste momento, está proibida de exigir e de ser rigorosa. E está tão carregada de «coisas» que, na opinião de uns sábios quaisquer, têm que ser ensinadas na escola, que já não tem tempo para ensinar muito. É a educação alimentar, a educação ambiental, a educação sexual e para a saúde, a educação do consumidor, a educação para a economia, a formação cívica e o estudo acompanhado e a área de projecto...

Acrescenta-se a isto uma interpretação errada e tonta do que significa «igualdade de oportunidades». E ainda, porque uma desgraça nunca vem só, o facto de que muitas das crianças que chegam à escola vêm em «estado bruto»: não aprenderam as mais elementares regras da vida em sociedade e, portanto, dizem e fazem tudo o que lhes passa pela cabeça, são incapazes de resistir à mais pequena frustração e chegam ao infantário com milhares de horas de televisão no bucho.

Portanto e recapitulando: na escola pública têm que caber todos os meninos (e ainda bem); cada pai ou mãe, que não tem tempo para educar os filhos, quer que o seu rebento seja tratado como o filho único de uma senhora viúva; o professor, cada vez mais mal tratado, mais mal pago e com menos formação inicial, tem que ser professor, pai, psicólogo, ama-seca, entertainer, polícia sinaleiro, especialista em perturbações da personalidade e do crescimento, médico generalista, enfermeiro e burocrata.

Precisarei de dizer mais?

sábado, 29 de agosto de 2009

E vão duas...

Nos meus longínquos tempos de militância comunista, dizia-se que os comunistas, horror supremo, impediam as pessoas de viver onde elas quisessem. Bichanava-se com reiterada e virtuosa indignação: para sair do país, é preciso autorização do estado. Para sair da cidade, é preciso autorização do estado. E seguia-se a apaixonada defesa da liberdade de escolha, «cada um deve ter o direito de viver e trabalhar onde quiser!». Agora, a avaliar por alguns comentários que li aqui, cada um deve ter o direito de viver e trabalhar onde quiser, desde que não queira vir para a Europa...
Vou de surpresa em surpresa!
Volta, Lenine, que estás perdoado!

domingo, 26 de julho de 2009

Bem sei que é por estas e por outras que o mundo se não volta...

... mas custa-me ler alguns dos comentários deste post. Penso participar o mais activamente que puder na campanha eleitoral mas, apesar de execrar o nosso actual PM, não acho que valha tudo.
Claro que todos têm direito às suas opiniões. Nunca me passaria pela cabeça pugnar pela proibição da expressão de ideias, ainda que possa estar em absoluto desacordo com elas.
Assim, e porque durante as próximas seis semanas devo estar relativamente ausente das blogações, aqui fica:
Apesar de achar que o actual PS é tão socialista como a Coca-Cola, ou talvez até menos, ainda prefiro que o PS ganhe. Espero, PORÉM, que ganhe sem maioria absoluta e seja forçado a fazer alianças e compromissos à sua esquerda.
Desejo ainda que todos aqueles que, improvável e inesperadamente, aparecem em lugares elegíveis nas listas do PS façam mesmo a diefrença se e quando forem eleitos.
Finalmente, recuso-me e recusar-me-ei sempre, a insultar pessoas que respeito e por quem nutro algum grau de afeição, apenas porque declaram a sua intenção de votar PS ou porque são candidatas pelo PS.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Já agora:

E depois de dar uma voltinha pelos blogues - hoje já saí da escola - e de ler umas coisas.

A educação não pode funcionar numa base de produto-cliente. A instrução fornecida na escola é um serviço, mas não um produto e nem os alunos nem os pais destes são clientes.
Tenho lido delírios sobre como os nossos alunos ou os seus pais são clientes a quem a escola deve dar o que querem. Será que quem escreve estes disparates consegue bem alcançar o que está a propor?



Estão a imaginar a escola a dar aos fifis e aos papás o que eles quiserem?

Sim, bem sei que os professores estão sempre-de-férias...

... mas eu não consigo pertencer a esse grupo de bafejados pela sorte. Continuo a passar os dias enfiada na escola. Ele é matrículas, reuniões e mais reuniões, os cef que não há meio de acabarem...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

E, de repente...

... gente que apregoa a sua filiação na esquerda, que enche a boca com o PS - aqui entendido como Partido Socialista - gente que apregoa a superioridade do dito Partido na luta contra a ditadura, acha que sim, que deve passar a haver câmaras e gravadores nas salas de aula, que os bons professores não se importarão por certo de ser gravados e os que se importarem serão, por definição, maus professores, incompetentes, quiçá criminosos...
Mas o que é que se está a passar neste país?

Depois de muito pensar...

Começo por dizer que não conheço a professora em questão, e não consegui ouvir a gravação integral no site do DN porque os computadores a que tenho acesso não têm som.
Continuo, dizendo que compreendo algumas declarações de pais que fui lendo na Net – cada pai ou mãe pensa nos seus filhos, nos amigos deles, nos miúdos que conhece…
Agora, posto o que atrás fica dito, o que mais me assustou foi a presteza de comentadores televisivos e bloguistas (sabendo que estão a ser gravados e lidos) em considerarem a professora como padecendo de problemas mentais e incapaz de dar uma aula mais que seja.
Como professora há 25 anos, sei que os adolescentes se têm vindo a especializar numa prática em que já eram bastante bons à partida: a arte de puxar pela corda até levar um adulto ao descontrole. Quem, lidando diariamente com adolescentes, nunca teve que reprimir uma vontade violenta de esbofetear um deles, que me venha desmentir.
Tudo o que ouvi dizer à professora de Espinho (era Espinho?) cabe no rol de asneiras que se dizem quando somos levados a perder a cabeça. Se fôssemos gravados sempre que perdemos as estribeiras, calculo que sairiam coisas semelhantes.
Não estranharam o silêncio da turma? Não vos incomoda que uma mãe desse à filha um gravador para que a turma «puxasse» pela professora e a levasse a dizer, para o gravador cuja existência ignorava, coisas de que depois se arrependeria?
Uma professora também é um ser humano. Perde a cabeça, irrita-se, diz coisas que não devia. Estamos todos assim tão certos de que, na mesma situação, teríamos um comportamento irrepreensível?
Muitas vezes, quando os meus alunos estão demasiado barulhentos, ameaço: «Será que tenho que matar um de vocês para exemplo dos restantes?» Eles riem-se e o barulho acalma por uns dez minutos. Imaginem esta frase gravada e passada numa televisão com o rodapé «Professora ameaça alunos de morte».

Uma mera opinião que não pretende ser mais do que isso mesmo: uma mera opinião.

Estive a ler
isto, com crescente interesse.
Por coincidência houve uma conversa sobre o mesmo tema (ou tema aparentado) lá na sala de profes. Parece-me que a herança romântica das paixões assolapadas como fundamentação de casamentos é uma rematada asneira. Sempre tive para mim que se o Simão e a Teresa chegassem a casar, aquilo não durava seis meses.
Como vivemos numa sociedade televisiva e cheia de artigos descartáveis, a televisão vende às pessoas a peregrina ideia de que, se não estão felizes (sempre a sorrir, aos pulos, magros, loiros, maquilhados e jovens), é porque estão a fazer alguma coisa mal. Vai daí, o p'ssoal casa e assim que deixa de se sentir feliz,sei lá,no dia em que sobra mês no fim do ordenado, ou em que não apetece o truca-truca porque se está cansado ou... sei cá eu, essas coisas que minam as paixões assolapadas! - zut! Vamos divorciar e «tipo» casar outra vez, e repete, e repete, e repete...
Na minha curta experiência, os casamentos estáveis resultam de pares que ultrapassaram a paixão (assolapada ou nem por isso) e continuam a entender-se e a respeitar-se mutuamente, e a fazer cedências de parte a parte. O hábito pode não fazer o monge mas os bons hábitos costumam fazer bons casamentos.

NOTA - A autora é o mais possível a favor de legislação que permita e facilite o divórcio a quem o deseja, até por estar convicta de que nenhuma lei obrigará a ficar juntas duas pessoas que não querem estar juntas.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Quanto melhor pior, ou quanto pior melhor, ou quanto melhor fores pior para ti?

Li com a moderação que consegui.
Talvez a pergunta (retórica ou não) que vou colocar seja uma crueldade, mas não posso deixar de a fazer: justifica-se escolher a dedo os melhores professores para lidar com os piores entre os piores alunos? Ser mau aluno é que está a dar? Para os bons e para os muito bons alunos, qualquer coisinha serve? E, já agora, como vamos motivar a próxima geração de professores? Discursos do tipo: quanto melhores forem piores serão os alunos que vos irão parar á sala de aula?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A minha aluna romena

Estou a encenar (outra vez) o Auto da Barca do Inferno com a minha melhor turma de 9º ano. É um trabalho insano, mas o resultado é sempre bom e os moços aprendem muita coisa no processo. Desta vez, o único trabalho que levaram para as férias da Páscoa foi decorarem os respectivos papéis. A minha aluna romena chegou ao primeiro ensaio após as férias com o papel na ponta da língua e o seu maior espanto foi ver que nenhum dos colegas portugueses tinha feito o mesmo.
A diferença básica entre esta jovem romena e os seus colegas de turma (que até são muito bons alunos) é que ela respeita a escola e os professores - se um professor lhe dá um trabalho para fazer, ela fá-lo, e nem lhe passa pela cabeça não o fazer.

quarta-feira, 18 de março de 2009

A TRETA DOS IMPOSTOS, OS IMPOSTOS DA TRETA E OS IMPOSTORES

A blogosfera está cheia, a deitar por fora, de indignados cidadãos que pagam os seus impostos e que, visto isso, não estão dispostos a «sustentar» as «mordomias» «dessa gente» (leia-se «funcionários públicos») que «nem impostos paga».
Longe de mim pugnar contra o seu legítimo direito de se indgnarem e tal, mas, já agora, gostava que soubessem bem com o que se indignam.
«Essa gente» são os funcionários das finanças, que até podem ser antipáticos às vezes, sobretudo quando cumprem ordens surreais vindas dos insuspeitos senhores que nos governam, mas que vos ajudam a preencher os impressos; são os médicos que vos tratam quando estão doentes; são os enfermeiros que vos vacinam; são os professores que vos educam os filhos e os auxiliares que tomam conta deles; são os polícias que vos defendem os bens; são os homens e mulheres que varrem as ruas que vocês sujam e delas retiram o lixo que vocês fazem... vamos lá a um bocadinho de respeito,sim?
«Essa gente» paga impostos. Quando se quer lixar os funcionários públicos, avança-se com os salários brutos, que nenhum deles recebe. Os funcionários públicos, como qualquer trabalhador por conta de outrem, têm o IRS descontado automaticamente. Têm ainda descontada a contribuição para a ADSE e para a Caixa Geral de Aposentações. E pagam IVA em cada coisa que compram. E IMI pelas suas casas. E IA pelos seus automóveis. E Imposto sobre os Produtos Petrolíferos na gasolina, no gasóleo e no gás. Ou alguém acredita que quando vou à bomba meter gasolina me perguntam se sou Funcionária Pública e me vendem a gasolina mais barata por via disso?
Agora, força nessa indignação, depois de responderem a esta: em vez de gritar para que se tirem aos funcionários públicos as coisas boas que, pelos vistos, eles têm e vocês não, não seria melhor gritar para que vo-las dêem também? Não seria melhor, pergunto eu, estarmos todos melhor, em vez de estarmos todos pior?

segunda-feira, 16 de março de 2009

Escrito à pressa...

... e com a devida vénia à Isabel Coutinho (que nem sequer conheço) que escreveu o que a seguir cito, num comentário do Arrastão (link ali ao lado):

Trabalhadores privados contra Trabalhadores da Função Pública e vice-versa;
Empregados contra Desempregados e vice-versa;
Activos contra Reformados e vice versa;
Precários contra os do Quadro e vive-versa;
Independentes contra Dependentes e vice-versa;
Novos contra Velhos e vice-versa;
Pobres contra Ricos e vice versa;


E eu só acrescento: por que carga de raios somos assim? Por que demónio é que, em vez de nos unirmos contra um governo que pretende lixar-nos a todos, aplaudimos de pé enquanto achamos que ele está a lixar os outros e que a nós não há-de calhar nem uma folhinha de lixa? E só nos lamentamos quando, finalmente, nos toca, salvaguardando, no entanto, que os outros deverão sempre, e por todos os meios ser lixados?
Que merda de país triste este!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Efeméride (muito) pessoal


O meu avô Zé faria hoje 100 anos. Não se passa um dia sem que sinta a sua falta. Na nossa família, em que quase todos têm imaginações vivas e trabalhadoras, às vezes em excesso, o avô era uma âncora na realidade.
Deixo-o aqui, acompanhado pelo grande amor da sua vida, a avó Maria. São o meu exemplo pessoal de casal perfeito.

E parabéns ao meu pai, que também faz hoje anos.

terça-feira, 10 de março de 2009

Primavera



Um par de pintassilgos está a fazer ninho mesmo em frente da minha janela. Ainda ontem andavam num namoro descarado... e hoje apanhei o pintassilgo em flagrante delito, com palhas no bico, a entrar à sorrelfa no emaranhado de ramos da mimosa.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Volta Lenine, estás perdoado...

Nos meus tempos de militância comunista - mais antigos que a Sé de Braga - lembro-me que um dos horrores de que se acusavam os comunistas era de tirarem as crianças aos pais, para serem «educadas pelo estado». Era assim que se dizia, «educadas pelo estado», de olho arregalado e em alvo pela enormidade da coisa.
Agora, são os pais a reclamar que a escola pública - c'est à dire, o Estado - lhes leve os filhos e os eduque, para eles poderem trabalhar também à noite e aos fins de semana. E, entre os poucos que reclamam contra as escolas-armazém de crianças tiradas aos pais, ainda que a pedido destes, estão os comunistas. Está o mundo roto e chove nele como na rua, diria a minha avó.

O cheque

Quando fui aliviada da carteira, claro que também lá ia o cartão da ADSE, que eu cá, quando perco, é em grande estilo: vai tudo!
Fui à secretaria da Escola pedir uma 2ª via.
Na era da Internet e do Simplex, tive que preencher um impresso a pedir uma 2ª via, escrever uma carta ao Exmo Director Geral a pedir que se digne a mandar passar a tal 2ª via, que já pedi no impresso e, surrealismo supremo, passar um cheque de ... 2€! Um cheque de 2€! Vou ter que ir ao banco - eu que há anos não uso cheques - pedir cheques, para passar um cheque de 2€...

terça-feira, 3 de março de 2009

Dúvida existencial 2

Se temos que trabalhar até mais tarde porque vamos viver mais tempo, por que raios é que uma pessoa aos 50, e mesmo aos 40, é demasiado velha para procurar emprego?
Se teremos que mudar de emprego várias vezes ao longo da vida, por que demónios uma pessoa de 50, ou mesmo de 40, é demasiado velha para mudar de emprego? E, simultaneamente, é demasiado jovem para se reformar, certo?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

E então?





Há mesmo pessoas que gastam tempo e energia a tentar impedir que os outros tenham direitos. De que terão medo? Ou farão parte daquele grupo de gente que a minha avó Maria definia assim «Não lhes basta ter, é preciso que os outros não tenham.»?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A pescadinha

Não so propriamente fã de Mário Crespo. Acho-o um chato. Mas isto é um artigo de opinião, e opinião é... opinião. Também não concordo com as iluminadas opiniões do Abominável César das Neves, mas são opiniões. Ou não as leio, ou as critico depois de as ler, mas são opiniões.
Também não aprecio particularmente Fernanda Câncio. Às vezes concordo com ela, mas não a aprecio particularmente. Claro que isto também é uma opinião, mas não deixa de ser um grito do roto ao nu. Ou seja, não deixa de ser uma jornalista, que costuma escrever artigos de opinião, a criticar, num post (que é, afinal, uma espécie de artigo de opinião), outro jornalista, que escreve artigos de opinião, por este ter escrito... um artigo de opinião. Uma espécie de pescadinha de rabo na boca...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Os feijões de sódio da tlebs

Está em discussão, até ao próximo dia 22 de Fevereiro,o novo programa de português para o ensino básico. A tlebs por lá pontifica. Mas nem vou por aí. Vamos a que aquilo seja o top da cientificidade! Por que carga de raios lá continuará o «modificador do nome apositivo»? Estão o nome é que é apositivo? Se eu disser «o casaco do Pedro amarelo» quem é que é amarelo? Vindo de sumidades tão sumamente suprasúmicas, é uma asneira de palmatória! Perante tal pérola, permito-me duvidar do rigor do resto da tralha...

ANTI-OI BUS



Feito no
bus slogan generator.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Leiam e meditem...

Esta alegoria é um tiro certeiro. Num momento em que a democracia parece ter ido dar uma volta, em que os colegas nascidos em democracia sucumbem ao mais abjecto medo, em que se censuram, abertamente ou menos abertamente, ideias, conversas... que sei eu?..., em que antigos e novos socialistas parecem ter batido com a cabeça numa parede e perdido completamente a memória, é uma boa leitura. Food for thought...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Volta, ladrão, que estás perdoado... mas devolve-me os meus papéis, por favor!

Roubaram-me a carteira. Já sou uma veterana nestes acidentes, já é p'raí a terceira vez...
Lá fiquei, portanto, outra vez depenada dos escassos euros que tinha levado para férias (o que, enfim, dou de barato, nem era assim muito dinheiro e até já tinha comprado uma roupita para a Branca e uns livros para a Laura) e dos meus preciosos documentos. Aposto que, se o ladrão soubesse o sarilho em que me estava a meter, tinha corrido atrás de mim para me devolver os cartões.
Tive que ir fazer o novo e revolucionário cartão do cidadão (revolucionário porque prevejo que motive uma revolução, congeminada entre as pessoas que passam horas na bicha da Loja do Cidadão para ser medidas, pesadas, fotografadas, aliviadas de impressões digitais e outras torturas quejandas, por uma máquina de muito má catadura e as que vão lá de quinze em quinze dias saber se já chegou o cartão...).
Depois de medida, fotografada, impressionada e sei lá eu que mais pela máquina, esperei coisa de meia hora até ser chamada pela funcionária. Lá lhe expliquei o que se passara, o meu marido, munido do respectivo BI, jurou que eu era mesmo a mulher dele e eu, tentando ajudar, dei à senhora o meu número do BI, que sei de cor desde os exames do Propedêutico.
A senhora introduziu o número no computador e o dito deu-lhe todos os meus dados, que ela me leu e eu confirmei: o meu nome é o mesmo, continuo filha dos mesmos pais, a data de nascimento não mudou, não cresço desde os treze anos... até aqui ia tudo muito bem. Em seguida, o computador informou a senhora do meu número de contribuinte, que não sei de cor, e do meu número de utente do SNS, que também não sei de cor. Paguei os 12€ e fui-me embora, com a garantia de que o cartanito levava coisa de quinze dias a ser feito.
Já lá vão quase três semanas e resolvi ir perguntar pelo dito, até porque, quando fui pedir uma nova carta de condução, depois de me dizerem que o documento de pedido do cartão de cidadão servia perfeitamente e de me terem dado uma guia válida até Abril - o que já diz himalaias da fé que o serviço tem em si mesmo - me disseram ainda que o processo só avançará no dia em eu lá levar o propriamente dito cartão para fotocopiar (Oh, Mary, don't ask!).
Esperei aí uma boa hora e fiquei a saber que, ainda que o cartão lá esteja, só mo darão que lhes apresentar uma «cartinha» que eles me mandarão a informar que o cartão lá está (confusos? eu também!). Além disso, o meu cartão vai certamente demorar «muito» porque os números têm que ir a confirmar aos serviços que já os tinham confirmado, via net, em segundos (não percebem nada? eu também não!).
Moral da história: o ladrão que me roubou a carteira tem mais facilidade em provar que é eu do que eu tenho em pedir um cartão que prove que eu sou... eu!
Foi assim que reconheci, mais uma vez, que vivo numa realidade alternativa cujo script foi escrito por um poeta surrealista qualquer...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ora essa é que é essa!

É raríssimo um aluno de classe média, com uma família equilibrada e pais que lhe dêem a devida atenção, ter maus resultados escolares.

Retirado daqui.

A inaugurar o ano

Tive férias pelo Natal, sim senhoras, mas já nem me lembro delas e não descansei grande coisa...
Na guerra entre classe docente e ME (foi a inefável ministra que falou em guerra...), a luta continua.
Lá para os lados de Israel/Palestina, parece que também - eu acho que, por este sistema bíblico, de «dente por dente e olho por olho», ainda acabamos todos desdentados e cegos, mas ninguém me perguntou...
Inaugurado o ano... vou ali e já venho.