quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Escola...



...está a abarrotar. Pelo menos é a conclusão a que chego quando verifico que a minha filha não consegue uma mísera vaga numa turma de Artes de 11º ano. Já neste ano foi forçada a ir desterrada para casa do diabo mais velho, a passar horas em autocarros, o dia todo fora de casa. Estamos a tentar transferi-la, mas não há uma vaga. Quando oiço falar em excesso de escolas e falta de alunos, sinto-me enganada.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Continua tudo doido...

Um ex ministro quer o exército a actuar internamente - ou seja, quer atiçar o exército às canelas da população (porventura quando esta, farta, começar a protestar...)
O ME cozinha fusões de escolas e mega agrupamentos durante as férias dos alunos, provavelmente para que no dia 1 de Setembro nenhum professor saiba ao certo em que escola trabalha e nenhum aluno saiba em que escola anda.
Anda gente (?) pela blogosfera a congratular-se pela morte de Saramago (como se o tivessem matado com as próprias mãos).
Acabei de ler no Arrastão comentários delirantes sobre o perigo que os emigrantes representam para a Europa, escritos por cristãos - daqueles que acham que Cristo era loiro de olhos azuis e que no céu se fala latim.
Deve ser do stress, estou a alucinar... só pode...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mas anda tudo doido ou quê?

No «Governo Sombra» Ricardo Araújo Pereira propunha, com imensa piada, que se fechasse as escolas todas. Uma escola em Lisboa e outra no Porto chegavam largamente. Parece que o nosso (des)governo ouviu a sugestão e levou a sério. Parece que agrupamentos com menos de 1000 alunos são para fundir... Caminhamos apressadamente para a solução proposta por RAP - uma escola em Lisboa e outra no Porto...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ainda mexo...


... embora pouco. Estou estafada, na escola nada mudou a não ser para pior. Estou à beira de ficar doente, se o ano lectivo não acaba, acho que ainda acabo eu primeiro. Por isso mesmo o blog tem andado às moscas. Melhores dias virão, espero...
Ainda assim, registo para a posteridade (fica tão bem...!), a promulgação da lei do casamento civil igual para tod@s pelo PR. Os Nostradamus de serviço já prevêm a queda do Carmo, da Trindade e da civilização as we know it...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Desânimo



A escola está hoje pior do que nunca. E, o que ainda piora tudo, as pessoas estão cansadas, desanimadas, fartas. É o tom geral que vou apercebendo, e eu, por mim, estou à beira do fim da minha resistência.
Não tenho tempo de preparar uma aula decente. Mas quando, por acaso, consigo roubar umas hoas ao sono, e preparo qualquer coisa, a reacção dos meus alunos é quase sempre a mesma: «Que seca!».
Passo tempos infindos em reuniões estúpidas e inúteis, a ouvir ler e aprovar actas de outras reuniões estúpidas e inúteis.
Perco horas em «formações» obrigatórias, que em nada contarão para a minha avaliação. Tenho, além das horas lectivas, mais algumas de «apoios» a jovens que não querem ser apoiados e que faltam mais do que aparecem - o que não invalida que eu tenha que lá estar à espera deles e que lhes preparar trabalho.
A «reunite» subiu a píncaros imprevisíveis. Neste último ano, a minhoquice com os papéis parece que refinou. Nunca escrevi actas tão compridas e empernigaitadas como agora - tudo tem que ser escrito umas três vezes.
As criancinhas estão a trepar a picos de má educação que só não espantam quem esteja na escola o dia todo.
Até pode estar a passar para a opinião pública que a política para a Educação mudou desde os tempos de Maria de Lurdes Rodrigues, mas quem está nas escolas ainda não viu mudança alguma, a não ser para pior.
A luz ao fundo do túnel provou ser um comboio que vem, a toda a velocidade, na nossa direcção.

sábado, 6 de março de 2010

Os descritores...


Quando eu era aluna, nas aulas dava-se «matéria». Quando iniciei a minha actividade como professora, «matéria» era palavrão e os programas tinham «objectivos» e «conteúdos». Com o tempo, os «objectivos» aumentaram e os «conteúdos» diminuíram. A seguir, «conteúdos» passou a ser palavra feia e apareceram as «competências». Os programas que aí vêm, têm «descritores». Há alguém verdadeiramnete convencido de que é melhor ter «descritores» do que dar «matéria»? I rest my case!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pergunto-me...

A propósito disto...
Já ando nesta coisa do ensino vai para vinte e cinco anos. Desde pequena que quis ser professora. Durante muitos anos, gostei muito do que fazia e creio poder afirmar que o fazia bem. Acho que não exagerarei se disser que fui até ao ano passado uma boa professora, talvez mesmo mais do que apenas boa. Tive alunos difíceis e outros nem tanto. Tive alunos muito bons, alunos medianos, alunos a quem quase desesperei de conseguir ensinar fosse oque fosse. Mas quando me sentava a fazer o balanço do ano, ele era sempre positivo - eram mais os alunos que tinham aprendido, que tinham melhorado, que tinham ultrapassado dificuldades do que os que tinham ficado na mesma.
Desde que este ano começou, tenho vindo a duvidar cada vez mais de mim mesma: talvez esteja muito cansada, não sei, mas a ideia que tenho é que continuo a ensinar mas a maioria dos meus alunos recusa-se a aprender.
Quase todos parecem considerar o que aprendem nas aulas como coisa descartável: aprendem hoje, fazem dois exercícios e amanhã jurarão que nunca ouviram falar em tal coisa...
A maioria parece nunca ter feito um esforço na vida.
São um bando de queixinhas: têm computador e projector em todas as salas, mas ora está muito claro ora muito escuro, ora se vê mal ora se vê bem demais, tudo é «uma seca»...
E pergunto-me: é possível ensinar quem não quer aprender?