quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Casamento ou Vrrrnhéc?


Quer-me parecer que o que está em jogo e o pessoal do «contra» não diz é que, com o casamento para tod@s, a heterossexualidade das pessoas casadas deixa de ser presumida de imediato.
Até agora, facto de alguém se identificar como casado implica automaticamente a sua condição de heterossexual. Quando o casamento for alargado a tod@s, isso deixa de ser automático. Pelos vistos a identidade hetero é tão frágil, nestas cabeças, que se não for presumida, não existe... É por isso que tanto insistem na mesma-coisa-mas-com-outro-nome.
Nestas cabeças, heterossexuais somos todos até que @s que o não são anunciem esse facto. O casamento aberto a tod@s, o reconhecimento da homoparentalidade, a adopção por casais do mesmo sexo serão mais passos a dificultar este estado heterossexista de coisas - e o problema está aqui. Certo?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O NOVO PROGRAMA QUE COMEÇARÁ JÁ NO ANO QUE VEM A DEFORMAR MAIS AINDA AS JÁ DEFORMADAS CABECITAS DOS NOSSOS INFANTES




Alguém já passou os olhos pelo Novo Programa de Língua Portuguesa? Eu já. E só pergunto isto: mas por que carga de raios tenho eu (ou qualquer outro colega) que ler carradas de tontices sem interesse nenhum? Mas o que é aquilo?
Não resisto a incluir um parágrafo, retirado da página 28
A fim de contrariar a eventual propensão para se acentuar o eixo dos
conteúdos, chama-se a atenção para a necessidade de se não trabalhar o programa
apenas em função dos referidos conteúdos; estes facultam uma metalinguagem
comum aos professores dos três ciclos, no sentido de se reverter a deriva
terminológica que se foi manifestando nos últimos anos. De um ponto de vista
didáctico, eles devem ser activa e criativamente articulados com os desempenhos
esperados, agrupados por grandes linhas orientadoras (coluna da esquerda) do
trabalho sobre as competências; a não ser assim, o programa poderá resultar numa
mera descrição de conceitos, com escassas consequências no plano da aquisição e
do desenvolvimento de competências. Acrescente-se ainda que mais importante do
que levar os alunos a memorizar definições de termos (um risco que se agrava
quando estão em causa termos metalinguísticos) é torná-los capazes de utilizar
correctamente, em contexto, os respectivos conceitos.

É tudo assim.
Tudo!
Esta é a lista de textos a incluir no Projecto Curricular de Turma (ainda alguém me há-de explicar para que serve esta coisa) do um 7º ano:
• três narrativas de autores portugueses
• um conto tradicional
• um texto dramático de autor
português (incluindo literatura juvenil)
• um conto de autor de país de língua
oficial portuguesa
• uma narrativa de autor estrangeiro
• dois textos da literatura juvenil
• poemas de subgéneros variados

Aceitam-se sugestões... de interpretação desta lista.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

As últimas da Gramática



Uma colega que tem andado em «formação» sobre a nova terminologia gramatical (a defunta e nada saudosa TLEBS, actual sabe-se-lá-o-quê) veio de lá com a ideia brilhante que, ao implementar os novos programas do 3º ciclo, deveremos ser contra a «gramática normativista». Se a gramática é um conjunto (lá está) de normas, não vejo como pode deixar de ser normativista, pelo que espero com impaciência os desenvolvimentos.
Parece também que, quando se implementar o dito programa, as crianças deverão ser deixadas a intuir as regras. Nada de dar regras aos meninos, é deixá-los descobri-las sozinhos. A roda já foi inventada, mas é sempre bom inventá-la de novo, certo? Eu dava aos autores desta pérola duas toneladas de alumínio, umas ferramentas e dizia-lhes que fizessem o seu próprio automóvel: já viram tantos que devem, com certeza, intuir como se faz um.
E, já que estamos com as mãos na massa, eu acabava com a legislação normativista. Depois de ser atropelado umas cinco ou seis vezes, qualquer indivíduo esperto deve intuir que andar pelo meio da estrada é capaz de ser má ideia.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

As boas escolas



Parece que são as católicas, por cá. Pelo menos, era o que vinha no jornal.

Não tenho parti-pris especial contra escolas confessionais. Não matricularia as minhas filhas numa, mas acho que quem quer deve poder fazê-lo.

Vamos à exigência e ao rigor: a escola pública, neste momento, está proibida de exigir e de ser rigorosa. E está tão carregada de «coisas» que, na opinião de uns sábios quaisquer, têm que ser ensinadas na escola, que já não tem tempo para ensinar muito. É a educação alimentar, a educação ambiental, a educação sexual e para a saúde, a educação do consumidor, a educação para a economia, a formação cívica e o estudo acompanhado e a área de projecto...

Acrescenta-se a isto uma interpretação errada e tonta do que significa «igualdade de oportunidades». E ainda, porque uma desgraça nunca vem só, o facto de que muitas das crianças que chegam à escola vêm em «estado bruto»: não aprenderam as mais elementares regras da vida em sociedade e, portanto, dizem e fazem tudo o que lhes passa pela cabeça, são incapazes de resistir à mais pequena frustração e chegam ao infantário com milhares de horas de televisão no bucho.

Portanto e recapitulando: na escola pública têm que caber todos os meninos (e ainda bem); cada pai ou mãe, que não tem tempo para educar os filhos, quer que o seu rebento seja tratado como o filho único de uma senhora viúva; o professor, cada vez mais mal tratado, mais mal pago e com menos formação inicial, tem que ser professor, pai, psicólogo, ama-seca, entertainer, polícia sinaleiro, especialista em perturbações da personalidade e do crescimento, médico generalista, enfermeiro e burocrata.

Precisarei de dizer mais?

sábado, 29 de agosto de 2009

E vão duas...

Nos meus longínquos tempos de militância comunista, dizia-se que os comunistas, horror supremo, impediam as pessoas de viver onde elas quisessem. Bichanava-se com reiterada e virtuosa indignação: para sair do país, é preciso autorização do estado. Para sair da cidade, é preciso autorização do estado. E seguia-se a apaixonada defesa da liberdade de escolha, «cada um deve ter o direito de viver e trabalhar onde quiser!». Agora, a avaliar por alguns comentários que li aqui, cada um deve ter o direito de viver e trabalhar onde quiser, desde que não queira vir para a Europa...
Vou de surpresa em surpresa!
Volta, Lenine, que estás perdoado!

domingo, 26 de julho de 2009

Bem sei que é por estas e por outras que o mundo se não volta...

... mas custa-me ler alguns dos comentários deste post. Penso participar o mais activamente que puder na campanha eleitoral mas, apesar de execrar o nosso actual PM, não acho que valha tudo.
Claro que todos têm direito às suas opiniões. Nunca me passaria pela cabeça pugnar pela proibição da expressão de ideias, ainda que possa estar em absoluto desacordo com elas.
Assim, e porque durante as próximas seis semanas devo estar relativamente ausente das blogações, aqui fica:
Apesar de achar que o actual PS é tão socialista como a Coca-Cola, ou talvez até menos, ainda prefiro que o PS ganhe. Espero, PORÉM, que ganhe sem maioria absoluta e seja forçado a fazer alianças e compromissos à sua esquerda.
Desejo ainda que todos aqueles que, improvável e inesperadamente, aparecem em lugares elegíveis nas listas do PS façam mesmo a diefrença se e quando forem eleitos.
Finalmente, recuso-me e recusar-me-ei sempre, a insultar pessoas que respeito e por quem nutro algum grau de afeição, apenas porque declaram a sua intenção de votar PS ou porque são candidatas pelo PS.