De Joao Cardoso a 11 de Novembro de 2008 às 13:23
Poucas coisas são tão irritantes como disparar plurais sem olhar para o alvo: o que é isso de “os professores”? Falamos de 140 / 150 mil humanos que têm a mesma profissão. Se quer generalizar começamos pela treta mor: os professores são avaliados desde a década de 90. A legislação nunca foi regulamentada para que se pudessem candidatar a “Muito Bom”, é verdade, mas a responsabilidade é dos responsáveis ministeriais. Os relatórios por vezes nem lidos eram, mas a culpa não é dos avaliados. Curiosamente os parâmetros da avaliação eram muito mais extensos e complexos do que os desta lei.
Sem consequências? Conheço casos de quem parou na carreira, por não feito as formaçõezinhas obrigatórias, leccionadas em eduquês. Não conheço casos em que alguém tenha obtido avaliação negativa pela sua incompetência. Pois não. Nem alguma vez o iria conhecer com esta lei de avaliação pelo simples facto de que ela se destina não a detectar os incompetentes mas sim a evitar a progressão na carreira, a mesma razão pela qual a regulamentação da anterior nunca foi feita...
As generalizações são tramadas. O Rogério na mesma caixa de comentários diz que é avaliado pelos seus alunos, na universidade. Eis um argumento de uma honestidade a toda a prova. Omite que essa avaliação em nada lhe mexe na carteira. Omite que nas universidades a reprovação de um professor, por exemplo em provas de agregação, é notícia de jornal. Mas devo-lhe dizer que por princípio até estou de acordo. Só os alunos podem efectivamente aferir da qualidade do trabalho dos seus professores, já que são os únicos que assistem às suas aulas, as verdadeiras, e não as preparadas para serem assistidas por terceiros.
Claro que descortino algumas dificuldades se esta lei contemplasse esse princípio, em particular no que toca aos educadores de infância. E acarretaria sempre o problema de os professores avaliarem os alunos o que se presta a alguns negócios e chantagens. Mas na prática como um professor vai ser avaliado também pelos resultados dos seus alunos, a perversão já lá está.
E esse é o segundo objectivo desta lei: acabar com o insucesso estatístico. Ou está a ver alguém que tendo definido nos seus “objectivos individuais” uma taxa de aprovação de 90% não a vá depois cumprir? Eu estou: o profissional honesto e competente. O que sai tramado.
Em matéria de paralelismos anedóticos, continuo à espera que os médicos sejam avaliados pelos doentes, os juízes por queixosos e acusados (presumíveis, deixa cá ver se tenho de condenar este ou se estrago as minhas estatísticas para este ano) e já agora os defensores oficiosos que sem lerem o processo se limitam a pedir justiça...
Mas claro: médicos, juízes, advogados, os professores universitários, esses sim: querem ser avaliados. Os outros professores é que não.
Retirado daqui e reproduzido com aplausos. E, por mim, acabo aqui a discussão. Os argumentos patéticos e patetas que tenho lido por esses blogues metem nojo. Tenho pena, porque este é o meu país e gosto dele, mas tenho vindo a convencer-me de que temos seguramente uma percentagem anormalmente vasta de invejosos mesquinhos e reles que só se sentiriam satisfeitos se vissem todos reduzidos à miserável condição em que eles mesmos se encontram, em vez de se disporem a lutar para melhorar a dita condição.
post scriptum - muito boa prosa aqui. A ler e a reler
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Cuidado...!
Lendo os blogues - leitura indispensável para quem quer estar informado, porque a imprensa, escrita e falada, está muito governamentalizada - apercebo-me de alguns colegas (poucos, felizmente) que andam laborando num erro: atacar os «sindicatos» e endeusar os «movimentos», ou endeusar os «sindicatos» e, para tal, lá está, atacar os «movimentos». Calculo que o ME ao ver isto esfregue as metafóricas mãos de contente. Chama-se dividir para reinar e é mais velho do que a cheia do Nilo ou a Sé de Braga. Não nos deixemos cair nesse buraco, por favor. Sindicatos e movimentos têm a sua utilidade e o seu nicho. E agora, neste momento específico, somos todos professores. É especialmente importante puxarmos todos para o mesmo lado, em vez de, enquanto somos atacados por tantos lados ainda, nos dedicarmos a atacar, por nossa vez, os nossos próprios colegas só porque divergimos ligeiramente de opinião...
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Os burros de carga de acção educativa
Quando eu andei, na escola chamavam-se «contínuos». «Sô Contino» em dialecto de aluno. Havia um em cada corredor, vários no bufete, um na portaria, um no PBX, vários nos recreios, um em cada laboratório... Depois, reduziram-lhes drasticamente o número e passaram a chamar-lhes «auxiliares de acção educativa». Agora, reduzidos ao mínimo dos mínimos, cada um a fazer o trabalho de quatro pessoas, permententemente esfalfados, esgotados de trabalho, proponho que passem a chamar-se «burros de carga de acção educativa», porque é assim que são tratados.
E aqui fica o meu enorme obrigada às auxiliares de acção educativa da minha escola, que me espanto como ainda não caíram para o lado...
E aqui fica o meu enorme obrigada às auxiliares de acção educativa da minha escola, que me espanto como ainda não caíram para o lado...
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Boa estratégia!
Esta Estou pronta a usá-la, a propagandeá-la, a defendê-la... Mas que há por aí uns «colegas» que, todos contentes por serem «titulares», enquanto que outros não o são, porque se todos fossem perdia-se o gozo da coisa, andam a cozinhar «fichas» e «grelhas» nas quais se deliciam com o antegosto de lá cozinhar os colegas não «titulares»... ai isso há!
Educação?! Física?!

Arrisco-me a ser assassinada pelos colegas de EF, mas não me sentiria bem comigo mesma se não colocasse esta dúvida existencial que me tem moído a cabeça nos últimos anos, quer como mãe de uma aluna, quer como directora de turma: QUE DIABO SE PASSA COM A EDUCAÇÃO FÍSICA EM PORTUGAL? Como é possível que raparigas que são excelentes alunas de balett tenham 10 a EF? Como se explica que alunos e alunas que são atletas de competição tenham 10/11 a EF?
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Ele há coisas...!
Estive este fim-de-semana, um bocado engripada, a rever Harry Potter e a Ordem da Fénix. Lá pelo meio, tive uma espécie de iluminação - aquela Dolores Umbridge não vos lembra ninguém? Aquele Ministério da Magia não vos lembra nada? Aqueles «Decretos Educacionais» não vos trazem nada à memória?
Famílias numerosas
Descobri hoje que pertenço a uma família numerosa - o pai, a mãe, uma avó, uma avó-e-um-avô, uma tia e três filhos (eu incluída), que era o pessoal que morava lá em casa quando eu era pequerrucha, às vezes ainda acrescido de uma ou outra prima a estudar em Lisboa.
Ainda não estou em mim.
Eu, o marido, e as duas filhas formaremos o quê? Uma família de média dimensão? E os almoços de sábado, em Benfica? Uma família a transbordar - é verdade que faltam sempre cadeiras à última hora - para fora da casa?
Afinal, o que é que é mesmo uma família? Papá-mamã-fifis?
Ah, e tudo isto porque me lembrei de que o presidente - ou seria o porta voz? - da Associação de Famílias Numerosas (seja lá isso o que for e represente quem representar), que ouvi na rádio há uns dias, não tem o dom da palavra e entre «não é?», «p'tanto» e «qué'd'zer» mal se entendeu o que queria...
Ainda não estou em mim.
Eu, o marido, e as duas filhas formaremos o quê? Uma família de média dimensão? E os almoços de sábado, em Benfica? Uma família a transbordar - é verdade que faltam sempre cadeiras à última hora - para fora da casa?
Afinal, o que é que é mesmo uma família? Papá-mamã-fifis?
Ah, e tudo isto porque me lembrei de que o presidente - ou seria o porta voz? - da Associação de Famílias Numerosas (seja lá isso o que for e represente quem representar), que ouvi na rádio há uns dias, não tem o dom da palavra e entre «não é?», «p'tanto» e «qué'd'zer» mal se entendeu o que queria...
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