segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Ele há coisas...!

Estive este fim-de-semana, um bocado engripada, a rever Harry Potter e a Ordem da Fénix. Lá pelo meio, tive uma espécie de iluminação - aquela Dolores Umbridge não vos lembra ninguém? Aquele Ministério da Magia não vos lembra nada? Aqueles «Decretos Educacionais» não vos trazem nada à memória?

Famílias numerosas

Descobri hoje que pertenço a uma família numerosa - o pai, a mãe, uma avó, uma avó-e-um-avô, uma tia e três filhos (eu incluída), que era o pessoal que morava lá em casa quando eu era pequerrucha, às vezes ainda acrescido de uma ou outra prima a estudar em Lisboa.
Ainda não estou em mim.
Eu, o marido, e as duas filhas formaremos o quê? Uma família de média dimensão? E os almoços de sábado, em Benfica? Uma família a transbordar - é verdade que faltam sempre cadeiras à última hora - para fora da casa?
Afinal, o que é que é mesmo uma família? Papá-mamã-fifis?
Ah, e tudo isto porque me lembrei de que o presidente - ou seria o porta voz? - da Associação de Famílias Numerosas (seja lá isso o que for e represente quem representar), que ouvi na rádio há uns dias, não tem o dom da palavra e entre «não é?», «p'tanto» e «qué'd'zer» mal se entendeu o que queria...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O churrasco

Andamos a analisar grelhas. Temos analisado grelhas, modificado grelhas, imaginado como será grelhar alguém naquilo... Na sala de professoress vai um cheiro a esturro que não se pode. Ultimamente, ser professor é como participar num longo churrasco - e o almoço somos nós!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

E a moral da história vem a ser?

Hoje, numa turma de 9º ano, estudávamos o conto «O Tesouro», de Eça de Queirós. Durante a leitura, ao chegar ao momento em que Rui, depois de ter convencido um dos irmãos a matar o outro, mata pelas costas o irmão sobrevivente (e assassino), para ficar com a totalidade do tesouro, um dos garotos exclamou, de forma bem audível: «Esperto!».
Confesso que fiquei chocada. Sim, eu bem sei que é uma história, mas não consigo deixar de achar chocante que um miúdo de 14 anos já tenha uma mentalidade tão retorcida que possa, de ânimo leve, considerar esperto um homem que, para ficar com a totalidade de um tesouro (em vez de apenas um terço do mesmo tesouro), leve um dos seus próprios irmão a matar o outro e, em seguida, mate o que ainda está vivo.
Mas pensei melhor... ainda ontem uma telenovela de grande audiência terminou. Nas cenas finais, a vilã, que ao longo dos duzentos episódios matou, mentiu, trapaceou, semeou a discórdia, mandou matar a própria irmã, matou o marido, eu sei lá!, nas cenas finais, dizia eu, a supracitada personagem, antes de, riquíssima com a herança do marido assassinado, embarcar num avião para ir seduzir o marido da irmã, manda assassinar a sua própria filha, que já fora presa em vez da mãe.
Longe de mim exigir que a televisão tenha funções educativas a tempo inteiro. Mas enquanto pais americanos querem que a Bíblia seja retirada das bibliotecas escolares porque Adão e Eva mantiveram relações sexuais sem serem casados (juro que já li esta, embora não me lembre onde) ou que os livros de Harry Potter sejam proibidos porque falam de feitiçaria, uma novela de grande audiência, que é vista pelos mais novos - os meus alunos, hoje, bem falavam dela - não deveria ter um bocadito mais de escrúpulos? Ou vale mesmo tudo para ficar rico? Matar os irmãos? O marido? Os filhos?
Ná...! Vai-se a ver e sou eu que sou bota de elástico!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O passe da minha filha

Uma aventura com traços de surrealismo
Este ano resolvemos pedir um passe para a nossa filha mais nova. Aprender a andar de autocarro faz parte da educação dela. Pensava eu que se tratava de uma processo simples: preencher um papel, entregá-lo junto com uma fotografia...
Como me enganei! Depois de ter entregue o papel, a fotografia e um comprovativo da morada, fui de férias, pensando que o caso estava arrumado. Lá para meio de Agosto, telefonam-me da Câmara: como a nossa área de residência pertence a outra Câmara, tenho que ir pedir à Câmara da área de residência um papel que confirme que a criança tem direito ao transporte escolar.
Lá vou. Na Câmara, informam-me de que só me passarão dito papel se eu trouxerum outro, da Escola, garantindo que a criança lá está matriculada.
Vou à escola. O meu marido desloca-se à secretaria, deixando-me no carro, e pede o tal papel. Não lho dão, porque o Encarregado de Educação sou eu. O meu marido traz-me o pedido ao carro, eu assino-o, e ele regressa à secretaria onde, apesar de insinuarem que ele falsificou a minha assinatura, lhe dão o tal papel. Nisto gastou-se um dia.
Dia seguinte. Regresso à Câmara da minha área de residência, onde me dão o segundo papel, o tal que confirma que a minha filha tem direito ao transporte escolar. Vou à Câmara da área da escola entregá-lo mas não tenho sorte nenhuma porque, em época de descentralização, o serviço que trata dos transportes escolares foi descentralizado e fica agora numa freguesia a 13 quilómetros. Percorro os 13 quilómetros e entrego o papel. Gastei dois dias de férias, mas acho que o problema está resolvido. Como sou ingénua!
Na primeira semana de aulas, levo a minha filha à escola, às 8 e 20 da matina e pretendo ir ao SASE levantar o passe da criança. Não posso entrar, pois o SASE só abre às 9 e meia. Bebo um café, leio o jornal - nesse dia só entro à uma e meia da tarde - e espero que sejam nove horas. Entro na Escola e dão-me uma senha, com o número 5. Espero. Espero. Espero. Ao meio dia e meia hora entra no SASE a pessoa que tem o número 3. Desisto.
Uma semana depois, de café bebido e armada de jornal, estou à porta da escola às 8 e meia e espero, a pé firme, pela distribuição das senhas. Às nove menos cinco distribuem-me a senha número 1. Às nove e quarenta e cinco entro no SASE. Em câmara lenta, a única funcionária pergunta-me o que desejo. Peço-lhe o passe da minha filha e o respectivo selo mensal. Sempre em câmara extremamente lenta, a funcionária procura o passe, entrega-mo, e depois começa a ler uma imensa lista de nomes com cerca de 5 páginas - o nome da minha filha não vem lá, de certeza não entreguei os papéis! Entreguei sim senhora, comprovo que entreguei. Pede-me então que lhe deixe o passe e o meu número de telefone: quando tiver tempo, telefonará para a Câmara e tentará saber o que se passa.
Uma semana depois, não tendo recebido qualquer telefonema, repito o procedimento: espera à porta da escola, senha número 1, mais espera. De novo sou a primeira a entrar, lá pelas dez menos cinco. Na habitual câmara lentíssima, a funcionária diz-me que reina na divisão de transportes escolares uma imensa confusão e que ainda não conseguiu saber o que se passa com a senha mensal do passe da minha filha, e que, «se ela tiver direito a senha», só terá a partir de Outubro. Informo a senhora de que não sairei dali sem o assunto resovido e de que a minha filha terá, de certeza, direito a senha de passe. Alguma coisa na minha cara lhe diz que estou disposta a fazer o que digo, pois pega no telefone e liga para a supracitada divisão de transportes escolares, onde, ao fim de menos de um minuto, é informada de que o nome da minha filha consta, na linha número x da página y da lista que lhe enviaram por mail há já duas semanas. A contragosto, reconhece que há muito tempo não vê o mail. A contragosto entrega-me o passe da criança.
Na era da internet, no país do simplex, gastei dois dias e três manhãs e tive que transportar a minha filha durante a metade do mês de Setembro em que teve aulas. Caro passe gratuito!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

E ainda só estamos em Setembro!

Duas turmas de testes diagnóstico corrigidas e entregues. Outras duas em vias de correcção. Planificações anuais entregues. Muita ficha de trabalho feita. Caderneta em vias de encadernação. Dossier de DT em arrumação. E-mails de quase cem alunos recolhidos e inseridos no computador. Textos e fichas enviados para todos.
As pessoas estão-se a passar. Há discussões na sala de professores quase todos os dias, pelos motivos mais fúteis. Deve faltar pouco para começarem aos tiros! E ainda nem se começou com a paranóia da avaliação...!
Palpita-me que este vai ser um bom ano para fugir para casa assim que puder. Para fazer cursos, mestrados, doutoramentos, tudo o que me tirar desta sala de profes com um ambiente de tal forma pesado que pouco falta para chover cá dentro...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

De volta às aulas

Às aulas, que na escola estou, em plena orgia de reuniões, desde 1 de Setembro.
Este ano retomo os meus alunos do ano passado. Planeio trabalhar arduamente e levar a exame as duas turmas de 9º with flying colours.
Pensamos encenar o velho Auto da Barca do Inferno, desta vez com marionetas.
Tenho um grupinho de muito bons alunos com um plano de desenvolvimento.
Temos toda a tralha papelenta da avaliação docente. Espero chegar viva e de relativa saúde mental e física ao fim do ano.