Uma aventura com traços de surrealismo
Este ano resolvemos pedir um passe para a nossa filha mais nova. Aprender a andar de autocarro faz parte da educação dela. Pensava eu que se tratava de uma processo simples: preencher um papel, entregá-lo junto com uma fotografia...
Como me enganei! Depois de ter entregue o papel, a fotografia e um comprovativo da morada, fui de férias, pensando que o caso estava arrumado. Lá para meio de Agosto, telefonam-me da Câmara: como a nossa área de residência pertence a outra Câmara, tenho que ir pedir à Câmara da área de residência um papel que confirme que a criança tem direito ao transporte escolar.
Lá vou. Na Câmara, informam-me de que só me passarão dito papel se eu trouxerum outro, da Escola, garantindo que a criança lá está matriculada.
Vou à escola. O meu marido desloca-se à secretaria, deixando-me no carro, e pede o tal papel. Não lho dão, porque o Encarregado de Educação sou eu. O meu marido traz-me o pedido ao carro, eu assino-o, e ele regressa à secretaria onde, apesar de insinuarem que ele falsificou a minha assinatura, lhe dão o tal papel. Nisto gastou-se um dia.
Dia seguinte. Regresso à Câmara da minha área de residência, onde me dão o segundo papel, o tal que confirma que a minha filha tem direito ao transporte escolar. Vou à Câmara da área da escola entregá-lo mas não tenho sorte nenhuma porque, em época de descentralização, o serviço que trata dos transportes escolares foi descentralizado e fica agora numa freguesia a 13 quilómetros. Percorro os 13 quilómetros e entrego o papel. Gastei dois dias de férias, mas acho que o problema está resolvido. Como sou ingénua!
Na primeira semana de aulas, levo a minha filha à escola, às 8 e 20 da matina e pretendo ir ao SASE levantar o passe da criança. Não posso entrar, pois o SASE só abre às 9 e meia. Bebo um café, leio o jornal - nesse dia só entro à uma e meia da tarde - e espero que sejam nove horas. Entro na Escola e dão-me uma senha, com o número 5. Espero. Espero. Espero. Ao meio dia e meia hora entra no SASE a pessoa que tem o número 3. Desisto.
Uma semana depois, de café bebido e armada de jornal, estou à porta da escola às 8 e meia e espero, a pé firme, pela distribuição das senhas. Às nove menos cinco distribuem-me a senha número 1. Às nove e quarenta e cinco entro no SASE. Em câmara lenta, a única funcionária pergunta-me o que desejo. Peço-lhe o passe da minha filha e o respectivo selo mensal. Sempre em câmara extremamente lenta, a funcionária procura o passe, entrega-mo, e depois começa a ler uma imensa lista de nomes com cerca de 5 páginas - o nome da minha filha não vem lá, de certeza não entreguei os papéis! Entreguei sim senhora, comprovo que entreguei. Pede-me então que lhe deixe o passe e o meu número de telefone: quando tiver tempo, telefonará para a Câmara e tentará saber o que se passa.
Uma semana depois, não tendo recebido qualquer telefonema, repito o procedimento: espera à porta da escola, senha número 1, mais espera. De novo sou a primeira a entrar, lá pelas dez menos cinco. Na habitual câmara lentíssima, a funcionária diz-me que reina na divisão de transportes escolares uma imensa confusão e que ainda não conseguiu saber o que se passa com a senha mensal do passe da minha filha, e que, «se ela tiver direito a senha», só terá a partir de Outubro. Informo a senhora de que não sairei dali sem o assunto resovido e de que a minha filha terá, de certeza, direito a senha de passe. Alguma coisa na minha cara lhe diz que estou disposta a fazer o que digo, pois pega no telefone e liga para a supracitada divisão de transportes escolares, onde, ao fim de menos de um minuto, é informada de que o nome da minha filha consta, na linha número x da página y da lista que lhe enviaram por mail há já duas semanas. A contragosto, reconhece que há muito tempo não vê o mail. A contragosto entrega-me o passe da criança.
Na era da internet, no país do simplex, gastei dois dias e três manhãs e tive que transportar a minha filha durante a metade do mês de Setembro em que teve aulas. Caro passe gratuito!
terça-feira, 30 de setembro de 2008
terça-feira, 23 de setembro de 2008
E ainda só estamos em Setembro!
Duas turmas de testes diagnóstico corrigidas e entregues. Outras duas em vias de correcção. Planificações anuais entregues. Muita ficha de trabalho feita. Caderneta em vias de encadernação. Dossier de DT em arrumação. E-mails de quase cem alunos recolhidos e inseridos no computador. Textos e fichas enviados para todos.
As pessoas estão-se a passar. Há discussões na sala de professores quase todos os dias, pelos motivos mais fúteis. Deve faltar pouco para começarem aos tiros! E ainda nem se começou com a paranóia da avaliação...!
Palpita-me que este vai ser um bom ano para fugir para casa assim que puder. Para fazer cursos, mestrados, doutoramentos, tudo o que me tirar desta sala de profes com um ambiente de tal forma pesado que pouco falta para chover cá dentro...
As pessoas estão-se a passar. Há discussões na sala de professores quase todos os dias, pelos motivos mais fúteis. Deve faltar pouco para começarem aos tiros! E ainda nem se começou com a paranóia da avaliação...!
Palpita-me que este vai ser um bom ano para fugir para casa assim que puder. Para fazer cursos, mestrados, doutoramentos, tudo o que me tirar desta sala de profes com um ambiente de tal forma pesado que pouco falta para chover cá dentro...
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
De volta às aulas
Às aulas, que na escola estou, em plena orgia de reuniões, desde 1 de Setembro.
Este ano retomo os meus alunos do ano passado. Planeio trabalhar arduamente e levar a exame as duas turmas de 9º with flying colours.
Pensamos encenar o velho Auto da Barca do Inferno, desta vez com marionetas.
Tenho um grupinho de muito bons alunos com um plano de desenvolvimento.
Temos toda a tralha papelenta da avaliação docente. Espero chegar viva e de relativa saúde mental e física ao fim do ano.
Este ano retomo os meus alunos do ano passado. Planeio trabalhar arduamente e levar a exame as duas turmas de 9º with flying colours.
Pensamos encenar o velho Auto da Barca do Inferno, desta vez com marionetas.
Tenho um grupinho de muito bons alunos com um plano de desenvolvimento.
Temos toda a tralha papelenta da avaliação docente. Espero chegar viva e de relativa saúde mental e física ao fim do ano.
terça-feira, 29 de julho de 2008
O CASAMENTO...
«Todo o casamento é a criação dum lugar ideal para crianças, quer estejam presentes quer não. A sua utilidade social é esta. Isto o diferencia duma co-habitação.
Não tem um numero mínimo nem máximo de intervenientes. Tem um numero fixo de 2.»
Retirado dos comentários a
este post.
Não. Não. Não. E não.
O casamento não é a criação de um lugar ideal para crianças. Não mais do que outro conjunto familiar. Uma criança, duas, ou três, ou as que forem, podem ser educadas em grupos familiares muito mais alargados. Eu e os meus irmãos crescemos numa família razoavelmente grande. Ou em grupos mais restritos. Conheci muita gente que foi criada só pela mãe, ou pela mãe e pela avó. Esta ideia de família como grupinho de três (papá, mamã, fifi) é muito recente... Acho um piadão a ver defendê-la com unhas e dentes como se fosse um mandamento bíblico - e já que falamos nisso, as famílias bíblicas são para todos os gostos e há-as de todos os tamanhos e composições!
Continuo a pensar que o principal direito das crianças é o de serem queridas e amadas. O que inclui, por exemplo, uma saudável dose de disciplina. O resto é tontice politicamente incorrecta que é o que agora se convencionou chamar à tontice ou à brutidade arrogante.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
URGENTE - Ler e divulgar!!!
A ERSE, entidade reguladora dos serviços eléctricos, decidiu fazer de todos nós parvos.
DIVULGUE-SE
Pagantes EDP - Consulta Pública até dia 07 de Julho
Caros(as) Amigos(as),
Há planos que pretendem pôr os cidadãos comuns, bons e regulares pagadores, a pagar as dívidas acumuladas por caloteiros clientes da EDP, num total de 12 milhões de euros e, para o efeito, a entidade reguladora está afazer uma consulta pública que encerra dia 07 de Julho. Em função dos resultados desta consulta será tomada uma decisão. Esta consulta não está a ser devidamente divulgada nem foi publicitada pela EDP, pelo menos que se saiba.
A DECO tem protestado, mas o processo é irreversível e o resultado desta consulta irá definir se a dívida é ou não paga pelos clientes da EDP. A DECO teme que este procedimento pegue e se estenda a todos os domínios da actividade económica e a outras empresas de fornecimento de serviços (EPAL, supermercados, etc.).
Há que agir rapidamente. Basta enviar um e-mail com a nossa opinião, o que também pode ser feito por fax ou carta. www.erse.pt/vpt/entrada/consultapublica
Abaixo segue um exemplo de e-mail a utilizar:
_______________________
“Exmos. Senhores,
Pelo presente e na qualidade de cidadão e de cliente da EDP, num Estado que se pretende de Direito, venho manifestar e comunicar a Vossas Exas. a minha discordância, oposição e mesmo indignação relativamente à “proposta” - que considero absolutamente ilegal e inconstitucional - de colocar os cidadãos cumpridores e regulares pagadores a terem que suportar também o valor das dívidas para com a EDP por parte dos incumpridores.
Com os melhores cumprimentos,
Nome…..“
________________
O endereço de correio electrónico para onde devem enviar o protesto é o seguinte: consultapublica@erse.pt
DIVULGUE-SE
Pagantes EDP - Consulta Pública até dia 07 de Julho
Caros(as) Amigos(as),
Há planos que pretendem pôr os cidadãos comuns, bons e regulares pagadores, a pagar as dívidas acumuladas por caloteiros clientes da EDP, num total de 12 milhões de euros e, para o efeito, a entidade reguladora está afazer uma consulta pública que encerra dia 07 de Julho. Em função dos resultados desta consulta será tomada uma decisão. Esta consulta não está a ser devidamente divulgada nem foi publicitada pela EDP, pelo menos que se saiba.
A DECO tem protestado, mas o processo é irreversível e o resultado desta consulta irá definir se a dívida é ou não paga pelos clientes da EDP. A DECO teme que este procedimento pegue e se estenda a todos os domínios da actividade económica e a outras empresas de fornecimento de serviços (EPAL, supermercados, etc.).
Há que agir rapidamente. Basta enviar um e-mail com a nossa opinião, o que também pode ser feito por fax ou carta. www.erse.pt/vpt/entrada/consultapublica
Abaixo segue um exemplo de e-mail a utilizar:
_______________________
“Exmos. Senhores,
Pelo presente e na qualidade de cidadão e de cliente da EDP, num Estado que se pretende de Direito, venho manifestar e comunicar a Vossas Exas. a minha discordância, oposição e mesmo indignação relativamente à “proposta” - que considero absolutamente ilegal e inconstitucional - de colocar os cidadãos cumpridores e regulares pagadores a terem que suportar também o valor das dívidas para com a EDP por parte dos incumpridores.
Com os melhores cumprimentos,
Nome…..“
________________
O endereço de correio electrónico para onde devem enviar o protesto é o seguinte: consultapublica@erse.pt
sexta-feira, 27 de junho de 2008
À consideração de quem lê
«Politicamente correcto» tornou-se num palavrão. Quando se esgotam os insultos que envolvam o mau comportamento sexual das antepassadas femininas do insultado, que duvidem da sua inteligência ou que pretendam referir a sua orientação sexual, chama-se-lhe «Politicamente correcto».
Quando oiço sacar do «Politicamente correcto» como arma, lembro-me de que é possível alguém considerar-se legitimamente boa pessoa, e provavelmente sê-lo, e escrever coisas assim:
In http://gotikka.blogspot.com/2008/06/massa-amorfa.html
E fico a pensar o que se passará na cabeça de quem, considerando-se boa pessoa e provavelmente sendo-o, consegue pensar e escrever assim. Acrescento que o me ofende não é o que é relatado, pois considero que todos têm direito de se queixar do que consideram mal feito. É a linguagem e o pensamento que lhe subjaz...
Quando oiço sacar do «Politicamente correcto» como arma, lembro-me de que é possível alguém considerar-se legitimamente boa pessoa, e provavelmente sê-lo, e escrever coisas assim:
Estava eu na primeira classe, em 1978, puseram um atrasado mental na turma. Experiência primeira de muitas de um eduquês que actualmente mostra os frutos da sua aberrância. Este atrasado mental, com traços acentuados de mongolóidismo, mal sabia falar. Pensou-se então em juntá-lo aos normais para ver se evoluía (também fizeram uma experiência assim com uma criança e um chimpanzé). Resultado, não sabia desenhar um "A", nem sabia o que era um "A", mas passava as manhãs aos gritos, a agredir os colegas das carteiras mais próximas, riscando-lhes os papéis, atirando as coisas ao chão. Era de facto um aluno com necessidades especiais. Necessitava de um colete de forças e de um Valium. Nesse tempo ainda servia a régua de madeira da professora que tinha o dom terapêutico de o acalmar enquanto a mão doía. Depois esquecia-se e voltava ao mesmo. Actualmente parece que já não é assim. Já não se tenta sequer pô-los a desenhar o "A". Dá-se-lhes logo a escolaridade obrigatória. Pois não, meus amigos, isto não tem nada a ver com fazer boa figura perante a CEE mas com certas ideias deturpadas de vítimas de um regime demasiado rígido que quiseram à força garantir que todos os alunos eram iguais
In http://gotikka.blogspot.com/2008/06/massa-amorfa.html
E fico a pensar o que se passará na cabeça de quem, considerando-se boa pessoa e provavelmente sendo-o, consegue pensar e escrever assim. Acrescento que o me ofende não é o que é relatado, pois considero que todos têm direito de se queixar do que consideram mal feito. É a linguagem e o pensamento que lhe subjaz...
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Época de testes 2
Os tipos de rima são uma inesgotável fonte de criatividade para os meus alunos.
Já tinha encontrado as rimas embaralhadas, as rimas enfaralhadas, as rimas encruzilhadas, as rimas atrapalhadas...
A acrescentar, dos testes deste ano, dois novos tipos:
A rima emperalhada - que presumo que meta peras ao barulho;
A rima entrepelhada - que nem imagino o que seja!
Já tinha encontrado as rimas embaralhadas, as rimas enfaralhadas, as rimas encruzilhadas, as rimas atrapalhadas...
A acrescentar, dos testes deste ano, dois novos tipos:
A rima emperalhada - que presumo que meta peras ao barulho;
A rima entrepelhada - que nem imagino o que seja!
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