É verdade. Sou leitora de Alice Vieira desde os primeiros livros que publicou. Aqui há vinte e tal anos, quando comecei a dar aulas, fiz muita fotocópia (que paguei do meu bolsinho!) de excertos de Alice Vieira para dar a ler aos meus meninos dos sétimos anos. Mas, nestes vinte e tal anos, as coisas alteraram-se de tal forma que os livros de Língua Portuguesa dos 7º e 8º só trazem Alice Vieira, António Mota, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada...
Não tenho nada contra tais escritores. São pessoas estimáveis e tomara eu quealguns dos meus alunos lessem os livros deles. Mas é preciso mais! Quando eu andava na escola, os livros de leitura chamavam-se «Selecta Literária» e traziam excertos dos clássicos da Literatura Portuguesa. Enid Blyton, Odette de Saint-Maurice, Condessa de Ségur e quejandos, partia-se do princípio de que as leríamos nas nossas horas de lazer.
Não digo que se regresse a esse estado de coisas, mas não seria possível um meio termo? Fifty - fifty? Cinquenta por cento de divertimento e cinquenta por cento de clássicos?
Foi pelo que acima fica dito que resolvi dar aos meus catraios do 8º ano algumas páginas dos nossos clássicos. Fiz uma pequena selecção de textos de Padre António Vieira e outra de Eça de Queirós e é o que andamos agora a ler, com grande proveito e interesse. Já me apresentaram mesmo dois óptimos trabalhos de grupo sobre textos de Padre António Vieira.
E, para terminar, pergunto eu: não estaremos a estupidificar os nossos meninos, à força de lhes querer «facilitar» a vida e «aplainar» o caminho? E não será isso uma estupidez? Quando acabarem a escola, vão ter cá uma surpresa!!!
terça-feira, 22 de abril de 2008
segunda-feira, 21 de abril de 2008
As inverdades que têm mais saída quando se fala em Educação
1- Os professores nunca foram avaliados.
2- Só os maus professores é que chumbam os meninos.
3- Os professores são inimigos dos alunos.
4- Os interesses dos alunos são prejudiciais aos professores.
5- Os professores trabalham 14 horas por semana.
6- Os professores têm 3 meses de férias.
7- Os sindicalistas são maus profissionais porque não estão a dar aulas.
8- Os sindicalistas não trabalham.
9- Os sindicalistas não foram eleitos.
10- O único interesse dos sindicatos de professores é prejudicar os alunos.
11- O ensino em Portugal é mau porque os professores portugueses são maus.
12- A ministra é corajosa porque está contra os professores.
13- Se está contra os professores, então a ministra está do lado dos alunos (vide 3).
14- O facto de as faltas deixarem de contar seja para oque for reforça a autoridade da escola.
15- As escolas são mal geridas porque os C. Executivos são eleitos.
16- Dar «cheques-ensino» ia melhorar o ensino e torná-lo mais barato e eficaz.
18- Os jovens devem ser incentivados a estudar cada vez mais.
19- Se os licenciados não arranjam emprego, a culpa é deles que se licenciaram em coisas que não interessam às empresas.
20- A ministra defende a escola pública.
Alguém se lembra de mais?
E, já agora, será que com este estendal de mentiras, a política da educação em Portugal vai a alugm lado?
2- Só os maus professores é que chumbam os meninos.
3- Os professores são inimigos dos alunos.
4- Os interesses dos alunos são prejudiciais aos professores.
5- Os professores trabalham 14 horas por semana.
6- Os professores têm 3 meses de férias.
7- Os sindicalistas são maus profissionais porque não estão a dar aulas.
8- Os sindicalistas não trabalham.
9- Os sindicalistas não foram eleitos.
10- O único interesse dos sindicatos de professores é prejudicar os alunos.
11- O ensino em Portugal é mau porque os professores portugueses são maus.
12- A ministra é corajosa porque está contra os professores.
13- Se está contra os professores, então a ministra está do lado dos alunos (vide 3).
14- O facto de as faltas deixarem de contar seja para oque for reforça a autoridade da escola.
15- As escolas são mal geridas porque os C. Executivos são eleitos.
16- Dar «cheques-ensino» ia melhorar o ensino e torná-lo mais barato e eficaz.
18- Os jovens devem ser incentivados a estudar cada vez mais.
19- Se os licenciados não arranjam emprego, a culpa é deles que se licenciaram em coisas que não interessam às empresas.
20- A ministra defende a escola pública.
Alguém se lembra de mais?
E, já agora, será que com este estendal de mentiras, a política da educação em Portugal vai a alugm lado?
25 de Abril na minha escola

Está em exposição o 25 de Abril de 1974. Além de engraçadíssimos cartazes com entrevistas a personalidades várias - desde o Presidente do CE até à Presidente da Câmara, passando por notáveis e anónimos - estão em exposição artefactos da época. Uma velha máquina de esrever «portátil» - pesavam uma arroba! - um gira-discos, gravadores de bobinas e de cassettes, livros e discos, bijuteria, e os jornais, os espantosos jornais do dia... Tudo organizado pelos garotos dos 7º e 9º anos, que ficaram pasmos quando lhes disse que me lembrava perfeitamente da data (não sabiam que eu era assim tão velha!). Estão de parabéns as turmas e as suas professoras de História!
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Análise do dia D na minha escola
Parece-me chegada a hora de a fazer.
Como delegada sindical, divulguei-a o mais possível. Contei ainda com a colaboração das colegas mais combativas. Distribuímos panfletos (feitos por mim), afixámos um enorme cartaz no placard sindical, falámos com as pessoas.
Passei a noite de 14 para 15 quase em claro, a ler coisas, a fazer compilações do que se dizia na imprensa e nos blogues, a antecipar perguntas, a analisar o «entendimento» para poder falar dele sentindo-me esclarecida.
Cheguei à Escola às 8 horas - a reunião estava marcada para as 8 e meia. Tocou para o primeiro tempo às 8 e 25 e eu fiquei na sala com mais uma colega. Deppis chegou uma segunda. No primeiro intervalo, hora em que a reunião esteve mais animada, chegámos a ter 14 pessoas. A escola tem 90 professores! Contratados, estava um.
Foi uma reunião produtiva, é verdade que foi. Debateu-se, todos deram a sua opinião, todos colaboraram na redacção do documento final.
Mas, pergunto eu, onde estavam os outros? Não se ralam? Não querem saber? Estão à espera, a ver o que acontece? É-lhes igual ao litro?
Como delegada sindical, divulguei-a o mais possível. Contei ainda com a colaboração das colegas mais combativas. Distribuímos panfletos (feitos por mim), afixámos um enorme cartaz no placard sindical, falámos com as pessoas.
Passei a noite de 14 para 15 quase em claro, a ler coisas, a fazer compilações do que se dizia na imprensa e nos blogues, a antecipar perguntas, a analisar o «entendimento» para poder falar dele sentindo-me esclarecida.
Cheguei à Escola às 8 horas - a reunião estava marcada para as 8 e meia. Tocou para o primeiro tempo às 8 e 25 e eu fiquei na sala com mais uma colega. Deppis chegou uma segunda. No primeiro intervalo, hora em que a reunião esteve mais animada, chegámos a ter 14 pessoas. A escola tem 90 professores! Contratados, estava um.
Foi uma reunião produtiva, é verdade que foi. Debateu-se, todos deram a sua opinião, todos colaboraram na redacção do documento final.
Mas, pergunto eu, onde estavam os outros? Não se ralam? Não querem saber? Estão à espera, a ver o que acontece? É-lhes igual ao litro?
terça-feira, 15 de abril de 2008
Dia D na minha escola
Este foi o documento que foi aprovado
Os abaixo-assinados, professores da Escola Secundária de Palmela, sentem-se incomodados com o facto de, após a manifestação do dia 8 de Março, que reuniu milhares de professores unidos na rejeição TOTAL e COMPLETA do modelo de avaliação imposto pelo ME, a Plataforma Sindical tenha aceite pôr em prática o modelo, sem alterações, embora essa aplicação se apresente travestida de experiência e preveja uma eventual negociação em Setembro de 2009, depois de todo um ano lectivo ser arruinado na tentativa de pôr semelhante modelo em prática.
A rejeição deste modelo deve continuar. Ele deve ser rejeitado na sua totalidade, ou alterado de forma muito substancial, antes de qualquer experimentação, da qual nunca se deverá prescindir. Assim, queremos que a Plataforma Sindical não assine este entendimento e prossiga a mobilização da classe docente contra este modelo de avaliação e a política educativa do governo.
Escola Secundária de Palmela. 15 de Abril de 2008
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Só o meu cómico favorito...
... me faria rir numa altura destas. Em plena preparação para o Dia D, com um monte de fichas de gramática para corrigir, com testes para fazer, com aulas para preparar... Só mesmo o meu cómico favorito me arrancou umas boas gargalhadas. «Gato Fedorento»?! Ná! Muito melhor. Ora leiam!
sexta-feira, 11 de abril de 2008
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