Parece-me chegada a hora de a fazer.
Como delegada sindical, divulguei-a o mais possível. Contei ainda com a colaboração das colegas mais combativas. Distribuímos panfletos (feitos por mim), afixámos um enorme cartaz no placard sindical, falámos com as pessoas.
Passei a noite de 14 para 15 quase em claro, a ler coisas, a fazer compilações do que se dizia na imprensa e nos blogues, a antecipar perguntas, a analisar o «entendimento» para poder falar dele sentindo-me esclarecida.
Cheguei à Escola às 8 horas - a reunião estava marcada para as 8 e meia. Tocou para o primeiro tempo às 8 e 25 e eu fiquei na sala com mais uma colega. Deppis chegou uma segunda. No primeiro intervalo, hora em que a reunião esteve mais animada, chegámos a ter 14 pessoas. A escola tem 90 professores! Contratados, estava um.
Foi uma reunião produtiva, é verdade que foi. Debateu-se, todos deram a sua opinião, todos colaboraram na redacção do documento final.
Mas, pergunto eu, onde estavam os outros? Não se ralam? Não querem saber? Estão à espera, a ver o que acontece? É-lhes igual ao litro?
quinta-feira, 17 de abril de 2008
terça-feira, 15 de abril de 2008
Dia D na minha escola
Este foi o documento que foi aprovado
Os abaixo-assinados, professores da Escola Secundária de Palmela, sentem-se incomodados com o facto de, após a manifestação do dia 8 de Março, que reuniu milhares de professores unidos na rejeição TOTAL e COMPLETA do modelo de avaliação imposto pelo ME, a Plataforma Sindical tenha aceite pôr em prática o modelo, sem alterações, embora essa aplicação se apresente travestida de experiência e preveja uma eventual negociação em Setembro de 2009, depois de todo um ano lectivo ser arruinado na tentativa de pôr semelhante modelo em prática.
A rejeição deste modelo deve continuar. Ele deve ser rejeitado na sua totalidade, ou alterado de forma muito substancial, antes de qualquer experimentação, da qual nunca se deverá prescindir. Assim, queremos que a Plataforma Sindical não assine este entendimento e prossiga a mobilização da classe docente contra este modelo de avaliação e a política educativa do governo.
Escola Secundária de Palmela. 15 de Abril de 2008
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Só o meu cómico favorito...
... me faria rir numa altura destas. Em plena preparação para o Dia D, com um monte de fichas de gramática para corrigir, com testes para fazer, com aulas para preparar... Só mesmo o meu cómico favorito me arrancou umas boas gargalhadas. «Gato Fedorento»?! Ná! Muito melhor. Ora leiam!
sexta-feira, 11 de abril de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008
Hipocrisias
Os portugueses têm, em relação aos professores, a mesma hipocrisia que os americanos têm em relação aos políticos.
Pergunte-se a qualquer português o que faria se tivesse uma pipa de massa e ele responde logo: «deixava de trabalhar». A «ética» do trabalho em Portugal consiste em considerar que o trabalho é um mal infelizmente necessário, que deve ser feito da forma mais automática e acéfala possível, e, se possível, explorando o mais que se possa quem nos paga. (Acrescento que deve ser do ar ou da água, porque, em saindo do país, os portugueses não são piores trabalhadores do que os outros povos e adquirem rapidamente a ética de trabalho vigente no país onde se encontram.) Mas todos guardam da escola a ideia de quando lá estiveram como alunos e não lhes passa pelas mentes que ser professor não é chegar à sala de aula e dizer umas larachas ou escrever uma coisas no quadro, nem que enquanto os meninos estão em casa os professores continuam na escola.
Não deve haver um ser humano que nunca tenha tido a sua calinada, a sua escorregadela freudiana, o seu pontapé na gramática, mormente em frente de um microfone. Mas os professores, apanhados no meio de uma manifestação, têm a obrigação de falar como misturas de Camões e Padre António Vieira condensadas numa só pessoa, ou então são uns alarves.
Os portugueses ganham mal. Com excepção dos gestores, sobretudo os de empresas públicas, dizem os jornais. Por isso, os portugueses são grandes praticantes de actividades paralelas. Mas os professores não podem (e quem conhece algum que arredonde o ordenado com umas aulitas extra num colégio ou com meia dúzia de explicações chama-lhe de bandido para cima) – talvez por isso atribuem-se-lhes imaginários ordenados chorudos. Tendo em conta que os professores são na sua maioria licenciados e mestrados, ganham mal. Mas nem é disso que se queixam, só que o português nem ouve.
Já lá vai o tempo em que os pais davam a educação e a escola a instrução. Agora, o português médio quer que a escola (leia-se os professores) lhes eduquem os filhos, lhos instruam, ou pelo menos que os passem todos os anos, que tomem conta deles, que os ensinem a comer com garfo e faca, a andar na rua, a consumir com inteligência, a não engravidar (se são raparigas) antes dos vinte anos, a estudar e a fazer os trabalhos de casa, a compreender as leis, etc, etc, etc – e botem etc nisso! - e ainda se escamam porque a escola não os guarda nas férias, nem nos fins-de-semana nem à noite. Os anjinhos dizem palavrões que fariam corar um carroceiro (tenho alunas de doze anos que usam f***-se como vírgula nas conversas), arrotam ou soltam gases intestinais nas aulas, vêem muitas vezes às aulas de mãos a abanar, sem um caderno, sem um livro, sem um lápis ao menos, falam em voz alta com o colega que está no outro canto da sala, atendem o telemóvel, copiam pelo caderno de um amigo o trabalho de casa de outra disciplina, nem sequer percebem se ralharmos com eles, porque não vêem o que estarão a fazer de mal, e se chumbarem no fim do ano a culpa é do professor, certo?
Há maus professores? Há. E maus canalizadores, e maus ladrilhadores, e maus advogados, e maus médicos, e maus políticos, e maus padres, e maus padeiros, e maus cozinheiros...
Se todos os professores fossem tão maus como o Ministério da Educação os tem pintado, já as escolas tinham caído há muito tempo, já havia mais meninos a bater nos pais e mais violência em geral.
Nenhum grupo de pessoas aceita ser assim caluniado e odiado por aqueles cujos filhos educa. É de mais!
É que os professores são gente e também se cansam,
consegue perceber?
Quanto à estafada história do cheque educação, vá ver os resultados que deu onde foi adoptado. E saiba que nunca o ensino privado aceitará voltar a ser tutelado e certificado pelo estado - o que fará com que o ensino privado que esta «nova» esquerda (cuja a novidade consite, ao que me tem sido dado ver, em parecer-se com a direita) tanto defende vá, no futuro, formar aqueles que hão-de engolir este regime. Posso já cá não estar para ver, mas não duvido de que acontecerá.
Pergunte-se a qualquer português o que faria se tivesse uma pipa de massa e ele responde logo: «deixava de trabalhar». A «ética» do trabalho em Portugal consiste em considerar que o trabalho é um mal infelizmente necessário, que deve ser feito da forma mais automática e acéfala possível, e, se possível, explorando o mais que se possa quem nos paga. (Acrescento que deve ser do ar ou da água, porque, em saindo do país, os portugueses não são piores trabalhadores do que os outros povos e adquirem rapidamente a ética de trabalho vigente no país onde se encontram.) Mas todos guardam da escola a ideia de quando lá estiveram como alunos e não lhes passa pelas mentes que ser professor não é chegar à sala de aula e dizer umas larachas ou escrever uma coisas no quadro, nem que enquanto os meninos estão em casa os professores continuam na escola.
Não deve haver um ser humano que nunca tenha tido a sua calinada, a sua escorregadela freudiana, o seu pontapé na gramática, mormente em frente de um microfone. Mas os professores, apanhados no meio de uma manifestação, têm a obrigação de falar como misturas de Camões e Padre António Vieira condensadas numa só pessoa, ou então são uns alarves.
Os portugueses ganham mal. Com excepção dos gestores, sobretudo os de empresas públicas, dizem os jornais. Por isso, os portugueses são grandes praticantes de actividades paralelas. Mas os professores não podem (e quem conhece algum que arredonde o ordenado com umas aulitas extra num colégio ou com meia dúzia de explicações chama-lhe de bandido para cima) – talvez por isso atribuem-se-lhes imaginários ordenados chorudos. Tendo em conta que os professores são na sua maioria licenciados e mestrados, ganham mal. Mas nem é disso que se queixam, só que o português nem ouve.
Já lá vai o tempo em que os pais davam a educação e a escola a instrução. Agora, o português médio quer que a escola (leia-se os professores) lhes eduquem os filhos, lhos instruam, ou pelo menos que os passem todos os anos, que tomem conta deles, que os ensinem a comer com garfo e faca, a andar na rua, a consumir com inteligência, a não engravidar (se são raparigas) antes dos vinte anos, a estudar e a fazer os trabalhos de casa, a compreender as leis, etc, etc, etc – e botem etc nisso! - e ainda se escamam porque a escola não os guarda nas férias, nem nos fins-de-semana nem à noite. Os anjinhos dizem palavrões que fariam corar um carroceiro (tenho alunas de doze anos que usam f***-se como vírgula nas conversas), arrotam ou soltam gases intestinais nas aulas, vêem muitas vezes às aulas de mãos a abanar, sem um caderno, sem um livro, sem um lápis ao menos, falam em voz alta com o colega que está no outro canto da sala, atendem o telemóvel, copiam pelo caderno de um amigo o trabalho de casa de outra disciplina, nem sequer percebem se ralharmos com eles, porque não vêem o que estarão a fazer de mal, e se chumbarem no fim do ano a culpa é do professor, certo?
Há maus professores? Há. E maus canalizadores, e maus ladrilhadores, e maus advogados, e maus médicos, e maus políticos, e maus padres, e maus padeiros, e maus cozinheiros...
Se todos os professores fossem tão maus como o Ministério da Educação os tem pintado, já as escolas tinham caído há muito tempo, já havia mais meninos a bater nos pais e mais violência em geral.
Nenhum grupo de pessoas aceita ser assim caluniado e odiado por aqueles cujos filhos educa. É de mais!
É que os professores são gente e também se cansam,
consegue perceber?
Quanto à estafada história do cheque educação, vá ver os resultados que deu onde foi adoptado. E saiba que nunca o ensino privado aceitará voltar a ser tutelado e certificado pelo estado - o que fará com que o ensino privado que esta «nova» esquerda (cuja a novidade consite, ao que me tem sido dado ver, em parecer-se com a direita) tanto defende vá, no futuro, formar aqueles que hão-de engolir este regime. Posso já cá não estar para ver, mas não duvido de que acontecerá.
quinta-feira, 13 de março de 2008
terça-feira, 11 de março de 2008
Quem quer pegar, pega por tudo
Ali em baixo já mostrei como o meu horário está preenchido. Claro que haverá sempre quem diga que não, que é só chegar à sala de aula e dizer umas coisas.
Acrescento que o horário do colega que terá que me avaliar é exactamente igual. Em que horário irá ele assistir às 5 aulas (2 este ano e mais 3 no ano que vem)? E se nos lembrarmos de que são 5 minhas e outras 5 de cada uma das 12 pessoas do departamento? Sessenta aulas assistidas é obra!
Para ele ajuizar se cumpri as planificações, terei que lhas entregar, certo? Eu e mais 12 pessoas. Eu, por exemplo, tenho um caderno por turma – quatro cadernitos só à minha pala. Multipliquem por 12 - e eu nem sou das pessoas mais picuinhas, há quem tenha planificações detalhadas aula-a-aula, umas 120 aulas por turma/ano.
Para comparar as classificações que eu propus (e apenas propus, pois segundo a legislação vigente o professor apenas propõe as classificações, e a responsabilidade é do Conselho de Turma – alguém já pensou nisto?) com as médias do ano anterior elas têm que estar diponíveis. As da escola e as nacionais. Isto dá trabalho… Quem é que o faz?
Vamos a que o desgraçado do coordenador tenha tudo pronto no final do próximo ano. A «minha» escola tem perto de 100 professores. Alguém está a «ver» as 100 resmas de papelada na frente do Presidente do Conselho Executivo? Ou do Director? Será que ele as vai ler, detalhadamente? Nos intervalos de quê?
Isto já foi experimentado em algum lado? As condições eram as mesmas? Funcionou?
Alguém sabe?
Acrescento que o horário do colega que terá que me avaliar é exactamente igual. Em que horário irá ele assistir às 5 aulas (2 este ano e mais 3 no ano que vem)? E se nos lembrarmos de que são 5 minhas e outras 5 de cada uma das 12 pessoas do departamento? Sessenta aulas assistidas é obra!
Para ele ajuizar se cumpri as planificações, terei que lhas entregar, certo? Eu e mais 12 pessoas. Eu, por exemplo, tenho um caderno por turma – quatro cadernitos só à minha pala. Multipliquem por 12 - e eu nem sou das pessoas mais picuinhas, há quem tenha planificações detalhadas aula-a-aula, umas 120 aulas por turma/ano.
Para comparar as classificações que eu propus (e apenas propus, pois segundo a legislação vigente o professor apenas propõe as classificações, e a responsabilidade é do Conselho de Turma – alguém já pensou nisto?) com as médias do ano anterior elas têm que estar diponíveis. As da escola e as nacionais. Isto dá trabalho… Quem é que o faz?
Vamos a que o desgraçado do coordenador tenha tudo pronto no final do próximo ano. A «minha» escola tem perto de 100 professores. Alguém está a «ver» as 100 resmas de papelada na frente do Presidente do Conselho Executivo? Ou do Director? Será que ele as vai ler, detalhadamente? Nos intervalos de quê?
Isto já foi experimentado em algum lado? As condições eram as mesmas? Funcionou?
Alguém sabe?
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